Lula Critica Classificação de Facções Brasileiras como Terroristas pelos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira (29 de maio de 2026) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são “terroristas” para os moradores das periferias brasileiras. A afirmação ocorreu durante um evento da Petrobras em Sergipe, em resposta à decisão do governo norte-americano de classificar as duas facções como organizações terroristas a partir de 5 de junho.
Rejeição à Interferência Estrangeira e Defesa da Soberania
Visivelmente “muito triste” com a declaração dos Estados Unidos, Lula criticou veementemente a possibilidade de interferência estrangeira no Brasil. Ele ressaltou que essas organizações criminosas causam terror em comunidades, bairros e cidades brasileiras, e que o combate a elas deve ser conduzido pelas autoridades nacionais. “Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país”, enfatizou.
Diferenciação e Combate ao Crime Organizado
O presidente fez uma distinção entre as facções brasileiras e grupos extremistas internacionais, citando a fala do ex-presidente Donald Trump sobre a guerra ao terrorismo. “Não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer o Osama bin Laden”, afirmou. Lula reiterou que as facções “roubam tudo” e que o enfrentamento ao crime organizado será realizado “aqui dentro”, sem a necessidade de intervenção externa. O governo brasileiro argumenta que o PCC e o CV não se enquadram nas definições de terrorismo estabelecidas pela Constituição e pela Lei Antiterrorismo de 2016, que foca em atos por motivos de xenofobia, discriminação ou preconceito com o intuito de provocar terror social.
Preocupações com a Medida Americana
Há uma avaliação no governo brasileiro de que a classificação das facções como terroristas pelos EUA poderia facilitar intervenções unilaterais norte-americanas no Brasil, aumentando a preocupação após a recente invasão da Venezuela. Adicionalmente, existe o receio de que a medida possa prejudicar a economia nacional. Nos Estados Unidos, a designação de uma organização estrangeira como terrorista acarreta diversas sanções, incluindo o bloqueio de bens e restrições financeiras. Em nota oficial, o governo brasileiro reforçou o discurso de soberania, reafirmou o compromisso no combate ao crime organizado e criticou aqueles que, segundo o Planalto, “pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, em alusão às críticas direcionadas aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: www.poder360.com.br

