Avanços Recentes e Novas Políticas
O Brasil tem buscado, nos últimos anos, fortalecer a atenção especializada dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Diante do envelhecimento populacional e do aumento de doenças crônicas, a demanda por serviços de média e alta complexidade tem crescido, pressionando o sistema. Em resposta, o Ministério da Saúde implementou a Política Nacional de Atenção Especializada em Saúde (PNAES) em 2023, seguida pelo Programa Nacional de Redução de Filas. Em 2024, o Programa Mais Acesso a Especialistas consolidou essas iniciativas, buscando diminuir a fragmentação, integrar a atenção primária, expandir a telessaúde e reestruturar o financiamento. O programa foi relançado em 2025 como “Agora Tem Especialistas”, com oito componentes que incluem desde o acesso ambulatorial e cirúrgico até a radioterapia e a saúde digital.
Entraves Históricos e Fragmentação da Rede
Apesar dos esforços, a atenção especializada no SUS ainda enfrenta obstáculos significativos. Especialistas apontam a fragmentação da rede, a desarticulação entre os níveis de atenção (primária, secundária e terciária) e falhas na regulação do acesso como principais entraves. O fluxo ideal de referência e contrarreferência, onde o paciente é encaminhado para o especialista e retorna à atenção primária para acompanhamento, raramente ocorre de forma fluida. Essa desarticulação impacta hospitais, que realizam grande parte das internações de alta complexidade, e gera retrabalho, ineficiência e, consequentemente, filas maiores.
Desigualdades Regionais e Escassez de Especialistas
A oferta de serviços especializados no Brasil é marcada por profundas desigualdades regionais. Pesquisas revelam vazios assistenciais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, em especialidades como cardiologia, oncologia e oftalmologia. A concentração de serviços nas grandes capitais e centros urbanos agrava o problema, assim como a má distribuição de profissionais. O Brasil possui uma proporção de médicos especialistas abaixo da média internacional, e a maioria se concentra na região Sudeste. Além disso, a maioria dos cirurgiões atua tanto no setor público quanto no privado, com apenas 10% dedicados exclusivamente ao SUS, o que contribui para o cancelamento de procedimentos por falta de equipe.
Filas, Financiamento e o Papel do Setor Privado
As longas filas de espera para consultas, exames e cirurgias são um dos maiores gargalos do SUS. A demora no atendimento pode levar ao agravamento de doenças e desperdício de recursos. Para combater esse problema, o programa “Agora Tem Especialistas” aposta em mutirões, unidades móveis (carretas) e na articulação com o setor privado. Essa colaboração inclui a troca de dívidas de hospitais privados por atendimentos ao SUS e a possibilidade de planos de saúde oferecerem serviços como forma de ressarcimento. Outra estratégia é a Oferta de Cuidado Integrado (OCI), que busca agrupar procedimentos em pacotes de cuidado com valores acima da Tabela SUS. No entanto, especialistas alertam que, sem investimentos estruturais e planejamento adequado, essas medidas podem se tornar paliativas e a sustentabilidade das políticas fica ameaçada em cenários de mudança de governo.
Fonte: futurodasaude.com.br

