Mercadante aponta Banco Master como “maior crime financeiro da história” e alerta para risco em fundos de investimento
Presidente do BNDES critica gestão anterior do Banco Central e defende maior autonomia para BC e CVM, enquanto André Esteves (BTG) reforça a necessidade de controle para evitar a entrada do crime organizado.
Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), classificou o caso do Banco Master, liquidado em novembro pelo Banco Central (BC), como “o maior crime financeiro da história do Brasil”. Em painel realizado no Fórum Esfera Brasil, Mercadante atribuiu a responsabilidade pela falta de controle que permitiu o escândalo à gestão anterior do BC, liderada por Roberto Campos Neto.
Rombo bilionário e impacto no sistema financeiro
O escândalo do Banco Master representa um rombo de R$ 52 bilhões, cujos custos recaem sobre o sistema financeiro brasileiro, afetando diretamente grandes bancos. Mercadante explicou que a conta é coberta pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), impactando instituições como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa. Ele ressaltou que a necessidade de o BC liberar o depósito compulsório para amortecer o impacto vai contra a política monetária de combate à inflação.
Riscos em fintechs e fundos de investimento
Mercadante também expressou preocupação com a falta de fiscalização sobre fintechs, que, segundo ele, podem se tornar “instrumentos de lavagem de dinheiro” por estarem “abaixo do radar do Banco Central”. O presidente do BNDES alertou ainda para um novo risco iminente: os fundos de investimento. Ele pontuou que a ausência de controle sobre esses fundos pode gerar novas crises, comparando a situação a pirâmides financeiras onde o valor declarado não corresponde à realidade.
Defesa por reestruturação e autonomia
Diante desse cenário, Mercadante defendeu uma reestruturação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para ele, é fundamental que essas instituições tenham maior autonomia e poder para coibir crimes financeiros de forma mais rápida e eficaz, além de valorizar o servidor público. Ele enfatizou que o sistema financeiro precisa colaborar na resolução desses problemas, pois, em última instância, é quem arca com os custos.
Controle e combate ao crime organizado
André Esteves, chairman do BTG Pactual, concordou com a gravidade da situação, destacando que um banco “inexpressivo” ter causado um rombo de R$ 50 bilhões no FGC é inaceitável. Ele ressaltou a importância do controle para evitar a entrada do crime organizado na economia formal e a criação de um mercado paralelo “fora das quatro linhas” dos órgãos de controle. Esteves alertou para o risco de uma “guerra entre o Brasil institucional e o não-institucional”, citando o aumento da informalidade em setores como o de combustíveis.
Fonte: neofeed.com.br

