Desempenho Insatisfatório na Captação de Recursos
As ações do Julius Baer sofreram uma queda acentuada de quase 9% na bolsa de Zurique. O principal motivo para essa desvalorização foi a divulgação de uma captação líquida de recursos abaixo das expectativas do mercado. Nos primeiros quatro meses do ano, o banco suíço registrou a entrada de 3 bilhões de francos suíços, um valor consideravelmente inferior aos 5,7 bilhões projetados por analistas. Este resultado representa um crescimento anualizado de apenas 1,7%, uma desaceleração em comparação com os 2,7% registrados no segundo semestre de 2025.
Fatores que Contribuíram para a Desaceleração
Em comunicação com analistas, o CEO Stefan Bollinger, que assumiu o comando após a crise relacionada ao caso Signa, atribuiu a desaceleração a uma combinação de fatores. Uma nova e mais rigorosa abordagem de risco e compliance adotada pelo banco, as incertezas geopolíticas decorrentes da guerra no Oriente Médio e uma pausa no apetite dos clientes por alavancagem para investimentos foram citados como os principais impulsionadores dessa performance mais modesta. Bollinger admitiu que o banco precisou reduzir ativos de risco na carteira de clientes em uma intensidade “um pouco maior” do que o previsto.
Sinais Positivos Ignorados em Meio à Preocupação Central
Apesar da reação negativa do mercado, o Julius Baer apresentou alguns indicadores positivos. Os ativos sob gestão atingiram 528 bilhões de francos suíços ao final de abril, um aumento de 1% desde o início do ano. Além disso, o banco projetou um lucro líquido no primeiro semestre substancialmente maior em comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionado por um bom desempenho no início do ano e pela ausência de eventos extraordinários relevantes. Contudo, para os investidores, a perda de ritmo na captação de novos recursos se tornou o ponto central de preocupação.
Desafios na Reconstrução e Saída do Brasil
A desconfiança do mercado está ligada ao histórico recente da instituição, que busca reduzir o risco de sua carteira após as perdas significativas decorrentes do colapso da incorporadora austríaca Signa Holding. A crise levou a mudanças estruturais, incluindo a liderança do banco, com a chegada de Stefan Bollinger. O desafio atual reside em equilibrar a redução de riscos com a necessidade de crescimento, onde a entrada de dinheiro novo é um termômetro crucial. Nesse contexto de reorganização global, o Julius Baer também concretizou sua saída do mercado brasileiro, vendendo sua operação de wealth management ao BTG Pactual em janeiro de 2025 por R$ 615 milhões.
Metas Ajustadas e Perspectivas Futuras
Apesar de manter a meta de elevar o crescimento de *net new money* para uma faixa de 4% a 5% até 2028, o Julius Baer revisou suas expectativas. Agora, o banco prevê que a taxa anualizada para 2026 ficará abaixo dos 2,9% registrados em 2025. A própria instituição reconheceu que a captação de clientes enfraqueceu de forma significativa em abril e não espera um retorno ao ritmo anterior nos próximos meses. Com um valor de mercado de US$ 16,6 bilhões, o banco enfrenta um período de escrutínio intenso por parte dos investidores quanto à sua capacidade de recuperação sustentável.
Fonte: neofeed.com.br

