Projetos Bilionários e Potencial de Geração de Caixa
A Gerdau está em um momento de transição estratégica, com o encerramento de um ciclo de investimentos significativos que prometem impulsionar sua capacidade de geração de caixa. Segundo Rafael Japur, CFO da companhia, três grandes projetos, com conclusão prevista para 2026, têm o potencial de adicionar mais de R$ 1 bilhão, chegando a quase R$ 1,5 bilhão anual em Ebitda. Esses empreendimentos, aprovados entre 2021 e 2022, com destaque para o complexo de Miguel Burnier em Minas Gerais, representam um “tesouro” ainda não totalmente precificado pelo mercado.
Fim do Ciclo de Capex Pesado e Retorno aos Acionistas
O Ebitda da Gerdau no primeiro trimestre de 2026 atingiu R$ 3 bilhões, um crescimento de 25% em relação ao trimestre anterior, impulsionado em 75% pelas operações na América do Norte. Embora o Capex (despesas de capital) do trimestre tenha sido de R$ 1,1 bilhão, Japur ressalta que o guidance para 2026 foi reduzido para cerca de R$ 4,7 bilhões. Essa diminuição não indica um apetite menor por investimentos, mas sim o encerramento da fase mais intensa de desembolso. O fluxo de caixa excedente gerado por essa redução será destinado ao retorno de valor aos acionistas.
Ação Descontada: P/VP Abaixo de 1 Indica Oportunidade
Um dos pontos mais críticos levantados pelo CFO é a relação Preço/Valor Patrimonial por Ação (P/VP) da Gerdau. Com as ações preferenciais (GGBR4) negociando a cerca de R$ 23 e o valor patrimonial por ação em R$ 27,27, a empresa opera com um desconto de aproximadamente 18%. O P/VP de 0,82 sugere que o mercado está pagando apenas 82 centavos por cada real de patrimônio da companhia, um indicador que, na visão de Japur, aponta para uma precificação equivocada.
Desafios no Mercado Brasileiro e Aço Chinês
Apesar do cenário promissor, o mercado brasileiro apresenta desafios. A margem Ebitda nacional ficou em 9% no último trimestre, considerada apertada diante dos altos custos operacionais, impostos e juros. O principal vilão é o aço importado, especialmente da China, que inunda o mercado global com excesso de oferta e preços de dumping. Essa prática pressiona os produtores locais a reduzirem margens ou produção, impactando a rentabilidade e a geração de empregos. Analistas como a XP Investimentos já recomendam a compra das ações, apontando múltiplos incompatíveis com a forte exposição da Gerdau aos EUA e a expansão de margens esperada no Brasil.
Fonte: neofeed.com.br

