Capital para a Economia Verde: Um Potencial Subutilizado no Brasil
O Brasil demonstra um potencial promissor para a economia verde, com projeções indicando a atração de pelo menos US$ 10,4 bilhões em investimentos até 2027. Esse valor supera em muito a expectativa inicial de US$ 5 bilhões. No entanto, um desafio significativo reside no descasamento entre o capital disponível e os projetos que necessitam desse financiamento. Atualmente, a capacidade de absorção identificada em 32 iniciativas soma US$ 6 bilhões, evidenciando uma lacuna na conexão entre as duas pontas.
O Desafio do “Match” Perfeito entre Investidores e Projetos
Anna Lúcia Horta, diretora-executiva da Capital for Climate no Brasil, destaca que o principal obstáculo é a dificuldade em alinhar as expectativas de retorno e os prazos de maturação de investidores com as características específicas de cada projeto. “Capital não é tudo igual e projeto não é tudo igual. Quem busca um retorno X, num prazo Y precisa encontrar um projeto com essas características”, explica. A especialista enfatiza a necessidade de direcionar o “capital certo na iniciativa certa e no timing adequado”, considerando fatores como tíquetes mínimos e máximos, além da maturidade das soluções propostas.
Mitigação de Riscos e a Urgência do Capital Catalítico
Marina Cançado, fundadora da Converge Capital, aponta a carência de instrumentos de mitigação de riscos e seguros específicos, especialmente para vertentes menos consolidadas como as Soluções Baseadas na Natureza (SbNs). “Nós temos que fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, compara, referindo-se à necessidade de desenvolver novas regulamentações e reorganizar cadeias produtivas. Ela ressalta a importância do “capital catalítico”, que assume riscos maiores e pode vir de famílias empreendedoras, para impulsionar projetos em estágios iniciais, onde o capital de risco é mais escasso.
Vantagens Competitivas e a Necessidade de Aceleração
O Brasil possui vantagens competitivas inegáveis para se tornar uma referência global em economia verde, especialmente em SbNs, impulsionado por seu clima tropical favorável à absorção de carbono e pelo potencial do agronegócio em iniciativas regenerativas. No entanto, a velocidade com que esses investimentos se concretizam é crucial. “O planeta não pode esperar os 20 anos que esperou para a energia solar ser o que é hoje. Precisamos acelerar esse movimento inevitável”, alerta Horta. A definição de uma estratégia nacional clara, incluindo o desenvolvimento de cadeias de valor para minerais críticos, é fundamental para capitalizar essas oportunidades e garantir que as decisões beneficiem o país a longo prazo.
Fonte: neofeed.com.br

