Um Novo Capítulo no Financiamento do Jornalismo Australiano
A Austrália está implementando uma nova estratégia para assegurar o financiamento do jornalismo local, substituindo o antigo Código de Negociação dos Meios de Comunicação Social pelo que chamam de Iniciativa de Negociação de Notícias (NBI). A proposta busca redefinir a relação entre as gigantes da tecnologia, como Google, Meta (Facebook) e TikTok, e os veículos de imprensa, estabelecendo uma taxa sobre o faturamento dessas plataformas para subsidiar a produção jornalística. A medida visa corrigir falhas do sistema anterior, que foram criticadas por sua falta de transparência e potencial para distorcer o mercado.
As Falhas do Modelo Anterior e a Busca por Soluções
O Código de Negociação dos Meios de Comunicação Social, introduzido em 2022, tentava forçar Google e Meta a pagarem por conteúdos jornalísticos exibidos em suas plataformas. No entanto, o sistema foi criticado por distorcer o problema central. Em vez de abordar a questão do suposto roubo de propriedade intelectual, a demanda real dos editores era por uma parcela das vastas receitas de publicidade digital, dominadas por essas plataformas. A falta de transparência nos acordos privados e o poder de barganha desigual entre grandes grupos de mídia e veículos menores também foram pontos de preocupação.
A Iniciativa de Negociação de Notícias: Avanços e Desafios
A NBI expande o escopo para incluir o TikTok, além de Google e Meta, e institui uma taxa de 2,25% sobre as receitas das plataformas na Austrália. Essa taxa pode ser isenta caso as empresas firmem acordos diretos com os editores. A nova proposta busca incentivar acordos com veículos menores, oferecendo maiores abatimentos fiscais para pagamentos a empresas de pequeno e médio porte. Um avanço notável é o mecanismo alternativo: se as plataformas optarem por não negociar diretamente, os recursos arrecadados serão distribuídos pelo governo com base no número de jornalistas contratados por cada veículo, criando um incentivo direto para a contratação e manutenção de profissionais.
Transparência e o Futuro do Financiamento Jornalístico
Apesar dos avanços práticos da NBI, críticos apontam que a persistência em incentivar negociações privadas pode perpetuar a falta de transparência. O governo australiano demonstra preferência por acordos bilaterais, o que pode resultar em uma arrecadação menor e em repasses concentrados em grandes grupos. Especialistas defendem que a distribuição de recursos deve ser baseada em critérios públicos e uniformes, como o número de jornalistas, para garantir maior equidade e sustentabilidade ao jornalismo local. A NBI representa um passo importante, mas a priorização da tributação direta sobre as negociações de bastidores é vista como crucial para a saúde do ecossistema midiático australiano.
Fonte: www.poder360.com.br

