Brasil na Copa de 2026: A Turbulenta Jornada de Mudanças, Crises e a Busca por Identidade Tática
Da pior campanha em pontos corridos à chegada de Ancelotti, entenda o caminho tortuoso da Seleção Brasileira rumo ao Mundial.
A Copa do Mundo de 2026, que será sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, representa um marco histórico com a expansão para 48 seleções. Na América do Sul, isso se traduziu em mais vagas para a Conmebol. Contudo, para a Seleção Brasileira, o que se esperava ser um caminho mais tranquilo se transformou em um período de intensa instabilidade, marcado por mudanças na comissão técnica e a pior campanha em pontos corridos da história do país.
Um Ciclo de Instabilidade no Comando Técnico
O ciclo para o Mundial da América do Norte iniciou-se após a eliminação no Catar em 2022, e foi caracterizado por uma rotatividade sem precedentes no comando técnico. Ramon Menezes assumiu interinamente, seguido por Fernando Diniz. A pressão dos maus resultados levou à demissão de Dorival Júnior em março de 2025, após uma derrota expressiva por 4 a 1 para a Argentina. A esperança de estabilidade veio apenas em maio de 2025 com a chegada do experiente técnico italiano Carlo Ancelotti. Sua missão: resgatar a confiança da equipe e implementar um pragmatismo tático para frear a perda de pontos nas Eliminatórias Sul-Americanas.
Novo Formato de Eliminatórias e o Desempenho Inédito
Com a expansão da Copa, a Conmebol passou a ter seis vagas diretas e uma para repescagem, disputadas pelas 10 seleções sul-americanas em um formato de pontos corridos com 18 rodadas. Apesar da maior margem de erro, o Brasil registrou sua pior performance desde a adoção contínua deste formato em 1996, terminando em quinto lugar. Pela primeira vez, o país perdeu os dois confrontos contra a Argentina na mesma edição qualificatória.
O Desafio da Ausência de Protagonismo e a Busca por Peças Chave
O ciclo foi fortemente impactado pela ausência frequente de Neymar, devido a lesões. Sem seu principal articulador, a responsabilidade recaiu sobre os talentos que atuam na Europa. Vinícius Júnior teve um desempenho abaixo do esperado na maior parte das Eliminatórias, enquanto Rodrygo oscilou. Raphinha buscou assumir responsabilidades, especialmente em bolas paradas. Sob o comando de Ancelotti, jovens como Endrick começaram a ser integrados, oferecendo velocidade e quebra de linhas, alterando a dinâmica ofensiva que antes dependia excessivamente de jogadas centralizadas.
Recordes Negativos e Preparação em Amistosos
O período até 2026 será lembrado por estatísticas negativas. A derrota por 4 a 1 para a Argentina quebrou um tabu de décadas, sendo a primeira vez desde 1964 que o Brasil perdia por três gols de diferença para o rival. A equipe chegou a cair para a sexta posição na tabela em determinado momento. Para tentar elevar o nível competitivo, a CBF utilizou as datas FIFA para amistosos contra adversários de diferentes continentes, incluindo confrontos contra seleções europeias como Inglaterra e Espanha no início de 2024, e testes contra equipes africanas e asiáticas em 2025. A preparação final incluiu vitórias importantes, como a sobre o Paraguai, que garantiu a vaga matemática, e outros resultados que buscaram consolidar a confiança da equipe.
A poucos meses do início do torneio na América do Norte, a Seleção Brasileira chega cercada por desconfiança, mas com uma estrutura finalmente estabilizada. O turbulento período das eliminatórias serviu como um laboratório de sobrevivência. Agora, com a hierarquia restabelecida pela nova comissão técnica e o elenco principal definido, o grande desafio é transformar os sobressaltos dos últimos anos na resiliência necessária para suportar a pressão do maior torneio do futebol mundial.
Fonte: jovempan.com.br

