Natura tem prejuízo de R$ 445 milhões no 1º trimestre, mas vê luz no fim do túnel com reestruturação
Empresa afirma que 75% da reorganização está concluída e espera melhora nos resultados a partir do segundo trimestre, apesar de custos extraordinários impactarem o balanço.
A Natura apresentou um primeiro trimestre de 2026 desafiador para seus investidores, com um prejuízo líquido de R$ 445 milhões, um aumento expressivo em comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita também recuou 7,7%, totalizando R$ 4,7 bilhões, e o Ebitda apresentou uma queda de 47%, com a margem caindo para 7,3%. Ações da companhia chegaram a cair mais de 4% no mercado.
Reestruturação como principal vilã e esperança
O principal fator por trás do resultado negativo foi o peso da reestruturação em andamento na companhia. Segundo o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, mais de 75% da reorganização já foi concluída, o que gerou despesas extraordinárias de R$ 221 milhões, relacionadas a rescisões e outros custos. A CFO, Silvia Vilas Boas, ressaltou que, sem esses efeitos não recorrentes, a rentabilidade teria atingido 12%, o que demonstra o potencial de recuperação da empresa.
Otimismo com a aceleração dos benefícios
Apesar dos números do primeiro trimestre, a diretoria da Natura se mostra otimista quanto ao restante do ano. A expectativa é que, com a maior parte da reestruturação para trás, os custos associados a ela diminuam significativamente, permitindo que os benefícios dos ajustes operacionais se acelerem a partir do segundo trimestre. A empresa planeja focar na retomada de vendas em regiões estratégicas como o Nordeste e em categorias de produtos com maior potencial de crescimento, como os body splashes.
Desafios e riscos no horizonte
Apesar do otimismo, a companhia não ignora os desafios. O mercado consumidor no Brasil e na Argentina continua apresentando dificuldades, o que exige uma gestão de despesas rigorosa e estratégias comerciais focadas. Um ponto de atenção para o segundo trimestre é a migração de sistemas nas atividades industriais e no centro de abastecimento, que, embora a empresa esteja bem preparada, pode gerar alguma turbulência nos resultados caso não ocorra sem interrupções.
Redução da alavancagem e foco em rentabilidade
A alavancagem financeira da Natura subiu para 2,11 vezes no trimestre, mas a CFO projeta uma redução ao longo do ano, com o objetivo de se manter entre 1 vez e 1,5 vez, considerado ideal pela companhia. A empresa também busca recuperar a confiança dos investidores através da consistência nos resultados e da demonstração de uma estrutura mais enxuta e eficiente, capaz de navegar em um cenário econômico desafiador.
Fonte: neofeed.com.br

