O Alerta Silencioso da Dor e das Lesões Faciais
Uma dor inicial persistente e incomum, seguida pelo surgimento de lesões que se manifestam de forma unilateral no rosto, desenhando um trajeto específico na pele. Esses não são sintomas aleatórios. A medicina descreve esse padrão como a reativação do vírus da varicela-zóster (VZV), o mesmo da catapora, que permaneceu adormecido no organismo e pode ressurgir anos depois. Quando essa reativação ocorre no gânglio do nervo trigêmeo, o vírus segue o percurso desse nervo, afetando testa, olhos, nariz, bochechas e mandíbula. Essa condição, conhecida como herpes zóster oftálmico, representa de 10% a 20% dos casos de herpes zóster e exige atenção especial, especialmente quando manifestada no nariz (sinal de Hutchinson), indicando um potencial comprometimento ocular.
Um Crescimento Preocupante nas Internações
Longe de ser um evento raro, o herpes zóster, especialmente em sua manifestação facial, tem se tornado um problema de saúde pública mais presente. Dados do DataSUS revelam um aumento significativo nas internações por varicela e herpes zóster no Brasil. Após uma queda durante a pandemia, os números saltaram de aproximadamente 3,3 mil internações em 2021-2022 para mais de 5,4 mil em 2025-2026, um crescimento de cerca de 61% em poucos anos. Essa estatística sublinha a necessidade de uma maior conscientização e estratégias de prevenção mais eficazes.
Fatores de Risco e Predisposição Genética
A ciência tem identificado diversos fatores que aumentam o risco de desenvolver herpes zóster. A idade avançada e a diminuição da imunidade celular são apontados como centrais, mas não os únicos. Estudos também associam um maior risco a condições como imunossupressão, câncer, uso de corticoides e doenças crônicas. Além disso, a genética tem ganhado destaque, com pesquisas indicando que o histórico familiar e associações em regiões do complexo Human Leukocyte Antigen (HLA) – crucial para a resposta imune – podem influenciar a suscetibilidade à doença.
O Paradoxo da Prevenção Subutilizada
Apesar do avanço no conhecimento científico, da disponibilidade de vacinas e de serviços médicos que incluem atendimento domiciliar, a prevenção do herpes zóster ainda é deixada em segundo plano. O paradoxo reside no fato de que, embora saibamos cada vez mais sobre os fatores de risco, as vias de contágio e as estratégias de prevenção, a aplicação prática desse conhecimento ainda é limitada. O desafio atual reside em ampliar a informação, facilitar o acesso à prevenção e fomentar uma cultura de cuidado contínuo ao longo da vida adulta, reconhecendo o herpes zóster não apenas como um problema de pele, mas como um evento neurológico e inflamatório que exige atenção e ação antecipada.
Fonte: futurodasaude.com.br

