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Santa Medieval Hildegarda de Bingen Inspira Silêncio e Contemplação no Pavilhão do Vaticano na Bienal de Veneza

Santa Medieval Hildegarda de Bingen Inspira Silêncio e Contemplação no Pavilhão do Vaticano na Bienal de Veneza

Curador Hans Ulrich Obrist transforma pensamento místico da santa em experiência imersiva de escuta, contrastando com agitação da Bienal e tensões políticas.

A 61ª Bienal de Arte de Veneza apresenta uma proposta singular do pavilhão da Santa Sé, intitulado “L’orecchio è l’occhio dell’anima” (“O ouvido é o olhar da alma”). Sob a curadoria de Hans Ulrich Obrist, a mostra é profundamente inspirada pela figura de Hildegarda de Bingen, uma santa medieval cujos ensinamentos sobre ciência, fé e cura dialogam com a contemporaneidade. A experiência busca promover a escuta contemplativa e o silêncio em meio ao efervescente cenário da Bienal.

A Influência da Infância e a Escolha de Hildegarda de Bingen

A inspiração para o pavilhão remonta à infância do curador Hans Ulrich Obrist, diretor artístico da Serpentine Galleries em Londres. Visitas à biblioteca da abadia de St. Gallen, na Suíça, onde teve contato com manuscritos medievais e a obra de Hildegarda de Bingen (1098-1179), marcaram sua formação. Décadas depois, essa vivência sensorial moldou a concepção do espaço vaticano em Veneza. Hildegarda, canonizada em 2012 e proclamada “doutora da Igreja”, transcende o âmbito religioso, servindo como chave de leitura para os desafios atuais, conectando ciência, fé e cura.

Um Oásis de Escuta em Meio ao Caos da Bienal

O pavilhão da Santa Sé está localizado no Jardim Místico dos Carmelitas Descalços, um refúgio espiritual que contrasta com a agitação da cidade e da própria Bienal. Os visitantes são convidados a colocar fones de ouvido e embarcar em uma caminhada contemplativa, longe do barulho. Vinte e quatro artistas, incluindo nomes como Brian Eno, Patti Smith, Suzanne Ciani e Jim Jarmusch, criaram obras que exploram a escuta ativa e o silêncio, oferecendo um respiro necessário em meio à intensidade do evento.

Diálogo entre Tradição e Inovação no Complexo de Santa Maria Ausiliatrice

Além da experiência sonora, o antigo Complexo de Santa Maria Ausiliatrice foi transformado em um “scriptorium contemporâneo”, remetendo aos locais medievais de produção de conhecimento. O espaço abriga um arquivo vivo inspirado em Hildegarda, com manuscritos, livros de arte e uma biblioteca multilíngue. Apresenta também uma liturgia sonora produzida pelas monjas alemãs da Abadia de Eibingen, mosteiro fundado pela própria santa. O local exibe ainda a última obra do cineasta Alexander Kluge, uma instalação de filmes e imagens.

Tensões Políticas e o Tema “In Minor Keys”

A edição deste ano da Bienal não está isenta de controvérsias. O júri da premiação pediu demissão em protesto contra a presença simultânea da Rússia e de Israel na mostra, evidenciando as complexas tensões geopolíticas que afetam o mundo da arte. Nesse contexto, o tema da Bienal, “In Minor Keys”, proposto por Koyo Kouoh, ganha relevância. A expressão musical, que evoca intimismo e introspecção, alinha-se à proposta do Vaticano de focar na pausa e na ressonância, convidando a uma reflexão mais profunda e menos estridente sobre o mundo.

Fonte: neofeed.com.br

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