Rede de Empresas e Fluxo Financeiro Suspeito
A recuperação judicial da Fictor, que acumula dívidas de R$ 4,3 bilhões, está envolta em um mar de questionamentos sobre sua estrutura financeira. Documentos obtidos com exclusividade pelo NeoFeed expõem uma intrincada teia de irregularidades, onde recursos captados de investidores, por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCP), eram supostamente redistribuídos entre empresas do grupo e seus sócios. Essas movimentações ocorriam via empréstimos mútuos, adiantamentos e outras operações, muitas vezes sem clareza contábil, dificultando o rastreamento.
Laudos Apontam Inconsistências e Confusão Patrimonial
Laudos da administradora judicial, a Laspro, indicam sérias inconsistências contábeis e fortes indícios de confusão patrimonial. Um dos casos alarmantes envolve o CEO Rafael Góis, que aparece com uma dívida de R$ 173,1 milhões com a Fictor Holding. Paralelamente, o passivo com partes relacionadas saltou para R$ 1,8 bilhão em 2025. Adicionalmente, foram identificadas transferências de R$ 131,6 milhões que não possuem correspondência contábil clara nos registros da empresa.
Fragilidade Operacional e Empresas Fantasmas
A investigação também revelou fragilidade operacional em parte das empresas do conglomerado. Diversas companhias apresentavam baixa ou nenhuma geração de receita, apesar das vultosas movimentações financeiras. Em alguns casos, a própria administradora judicial enfrentou dificuldades para acessar as instalações dessas empresas, levantando suspeitas sobre sua real existência e operação. Empresas como a Vensa Alimentos Ltda. e a Dynamis Beleza são citadas com retiradas recorrentes e adiantamentos sem contrapartida operacional clara, sugerindo um possível esvaziamento patrimonial.
Cartões de Crédito e Investigação Policial
O uso de cartões de crédito também se mostrou peculiar no fluxo financeiro. A Fictor Holding registrava R$ 506,9 milhões a receber vinculados a operações com cartões B2B da American Express. Soma-se a isso o fato de que, em março, Rafael Góis e outros sócios foram alvos de busca e apreensão pela Polícia Federal, em meio a suspeitas de envolvimento da empresa com o Comando Vermelho, com investigações que datam de 2023.
Fonte: neofeed.com.br

