Ações da Stone em Ponto Crítico: Valuation Baixo vs. Desafios Operacionais
A Stone, empresa de soluções de pagamento, encontra-se em um momento delicado. Embora os dividendos extraordinários anunciados recentemente, provenientes da venda da Linx, tenham gerado algum otimismo e reduzido o valuation das ações para níveis considerados atrativos pelo BTG Pactual – negociadas a um P/L de 6 vezes, inferior ao do Banco do Brasil –, os analistas alertam que a melhora operacional é crucial. Sem um turnaround consistente, o mercado tem se mostrado relutante em precificar uma recuperação que ainda não se materializou claramente.
Perspectivas Operacionais Pessimistas para o 1º Trimestre
As projeções para o primeiro trimestre de 2026 não são animadoras. O BTG Pactual estima que o volume total de pagamentos (TPV) no segmento de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) deva permanecer estável em relação ao mesmo período do ano anterior, com um leve avanço apenas se o Pix for incluído. Um dos principais pontos de atenção é a piora na qualidade dos ativos, que deve levar a um aumento nas provisões. Isso se deve ao crescimento de empréstimos inadimplentes (NPLs) e ao desempenho mais fraco de safras recentes, elevando o custo do risco para potencialmente acima de 17%.
Receitas em Queda e Lucro Operacional Recuando: O Que Vem Pela Frente?
Apesar de uma expectativa de aumento de quase 5% nas receitas em relação ao ano anterior, as projeções indicam uma queda de 5% em comparação com o trimestre anterior. O lucro operacional ajustado das operações continuadas, embora deva recuar em um dígito baixo na comparação anual, pode apresentar um leve aumento no lucro líquido ajustado devido a uma menor alíquota de imposto, atingindo cerca de R$ 540 milhões. No entanto, a falta de um fator claro que explique o mau desempenho da Stone dificulta a elaboração de um plano de recuperação mais óbvio.
Analistas Questionam Suficiência das Ações da Stone para Reverter o Cenário
Os analistas do BTG Pactual reconhecem que a Stone tem um diagnóstico preciso de seus desafios e está atuando em diversas frentes, incluindo execução, controle de custos e engajamento comercial. Contudo, a grande questão que paira no mercado é se essas medidas serão suficientes para reverter o quadro atual. A possibilidade de a Stone necessitar de alternativas estratégicas, como fusões e aquisições, para desbloquear valor não está descartada. Com as ações subindo apenas 1,26% no ano e o valor de mercado em US$ 3,6 bilhões, a pressão por resultados concretos aumenta a cada dia.
Fonte: neofeed.com.br

