Europa contra-ataca: Nova lei industrial europeia mira China com exigência de transferência de tecnologia
A União Europeia apresentou a Lei do Acelerador Industrial (IAA), uma ambiciosa iniciativa para reverter a desindustrialização e fortalecer setores estratégicos. A medida, contudo, gerou forte reação da China, principal parceiro comercial do bloco, que criticou a legislação como protecionista. A nova política, inspirada em táticas chinesas dos anos 1980, exige que empresas estrangeiras compartilhem tecnologia, formem joint ventures e empreguem mão de obra local para ter acesso a investimentos e financiamento europeu.
Cláusula controversa: UE veta investimentos que concentram produção global na China
O ponto mais sensível da IAA permite que os Estados-membros vetem investimentos estrangeiros diretos (IED) superiores a 100 milhões de euros em setores considerados cruciais, como baterias, veículos elétricos, painéis solares e matérias-primas críticas. A restrição se aplica a investidores de países que detêm mais de 40% da capacidade de produção global nesses segmentos, um domínio que atualmente pertence à China. Para obter aprovação, os projetos devem cumprir requisitos como a contratação de trabalhadores da UE e a formação de parcerias locais, além de envolver licenciamento de propriedade intelectual e investimento em pesquisa e desenvolvimento.
China reage com indignação e ameaça retaliação
O governo chinês expressou forte insatisfação com a nova lei, acusando a UE de protecionismo e de criar incertezas para as empresas chinesas. Pequim argumenta que a medida vai contra os princípios do livre comércio e promete defender seus “direitos legítimos”. A China via a Europa como um destino estratégico para diversificar suas cadeias de suprimentos e evitar barreiras comerciais, mas a IAA pode frear esse movimento, que vinha crescendo nos últimos anos, especialmente em setores de energia limpa e veículos elétricos.
Objetivos ambiciosos e desafios internos: A meta de reindustrializar a Europa
A meta da UE com a IAA é ambiciosa: elevar a participação do setor manufatureiro no Produto Interno Bruto (PIB) para 20% até 2035, revertendo a queda observada nas últimas décadas. A iniciativa busca combater a perda de empregos e a dependência de cadeias de suprimento estrangeiras. No entanto, a proposta ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE, e já enfrenta resistência de alguns países membros e de especialistas do setor. Há preocupações de que as exigências possam afastar investimentos necessários e limitar o acesso a tecnologias essenciais para a transição energética, onde a Europa ainda está atrás da China.
Impacto no Mercosul e incertezas futuras
Enquanto a Europa debate sua nova política industrial, o Brasil e outros países do Mercosul podem se beneficiar de uma extensão do estatuto de origem da UE para produtos de parceiros comerciais com acordos de livre comércio que aplicam reciprocidade. Contudo, esse benefício depende da ratificação formal do acordo UE-Mercosul e da entrada em vigor da IAA, cujos prazos ainda são incertos. A complexidade da transição para a fabricação local e a necessidade de uma visão de longo prazo são pontos cruciais levantados por analistas, que alertam para os riscos de menor inovação e crescimento se a política não for bem implementada.
Fonte: neofeed.com.br

