Mercado de CVCs em Retração e Reorganização
O universo de Corporate Venture Capital (CVC) no Brasil atravessa um período de ajuste. Nos últimos 12 meses, o número de CVCs ativos com investimentos realizados caiu de 48 para 42, segundo levantamento da ABVCAP. Essa retração, embora pareça pequena em números absolutos, reflete uma mudança significativa na dinâmica do mercado. As empresas que permanecem nesse ecossistema estão se tornando mais seletivas, o que resulta em um menor volume de negociações, mas com cheques médios consideravelmente maiores.
Gigantes Reduzem Operações, Outras Ampliam Foco
Algumas grandes empresas brasileiras decidiram encerrar ou reavaliar suas operações de CVC. A Braskem, por exemplo, anunciou o fim das atividades de sua hub de inovação Oxygea, enquanto a Americanas encerrou o IF – Inovação e Futuro, braço de inovação que deu origem à Ame Digital, como parte de seu plano de recuperação judicial. A Gerdau também colocou seu fundo, Gerdau Next Ventures, sob revisão, avaliando a venda de ativos. Essas saídas indicam uma reavaliação estratégica e priorização de ativos em tempos de maior incerteza econômica e foco no core business.
A Seletividade Crescente e o Aumento dos Cheques
Em contrapartida, instituições como BB Ventures e Itaú Ventures têm ampliado seus investimentos. O BB Ventures anunciou um aporte adicional de R$ 300 milhões, elevando seu capital para até R$ 500 milhões, com foco em fintechs, agtechs, govtechs, bioeconomia, ASG e DEI. O Itaú, por sua vez, internalizou o Kinea Venture, renomeando-o para Itaú Ventures, com R$ 500 milhões de capital comprometido, mirando startups em estágios Série A e B e buscando maior participação estratégica. Essa tendência de apostar em empresas mais maduras e alinhadas com as estratégias corporativas demonstra uma busca por sinergias mais claras e retornos financeiros mais consistentes.
Resultados e Expectativas no Novo Cenário
A pesquisa da ABVCAP também aponta para uma queda geral no número de rodadas de investimento com participação de CVCs, que caíram de 135 para 66 em 12 meses, movimentando cerca de US$ 700 milhões. No entanto, observa-se um aumento na representatividade de rodadas Série B e acima, que passaram de 12% para 27% do total de operações. O valor médio de uma rodada Série B saltou de US$ 7,4 milhões para US$ 34,6 milhões, evidenciando que as corporações estão dispostas a investir mais em startups em fases de escala e com menor risco. Esse movimento reflete um amadurecimento do ecossistema, onde a falta de paciência com o tempo de maturação das startups e a busca por resultados mais rápidos foram fatores cruciais para a reconfiguração do mercado de CVCs no Brasil.
Fonte: neofeed.com.br

