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Modigliani de US$ 30 Milhões: Herdeiro Francês Vence Disputa Contra Bilionário Após Quadro Ser Roubado por Nazistas e Ocultado em Paraíso Fiscal

A Batalha de um Fazendeiro Contra um Império Bilionário da Arte

Philippe Maestracci, um fazendeiro de 79 anos residente na pequena vila de La Force, no sudoeste da França, alcançou uma vitória judicial significativa contra o influente marchand de arte David Nahmad. A Suprema Corte de Nova York decidiu que a pintura “Homme assis appuyé sur une canne” (Homem sentado apoiado sobre uma bengala), de Amedeo Modigliani, avaliada em cerca de US$ 30 milhões, pertence legitimamente a Maestracci, neto de Oscar Stettiner, seu proprietário original.

O Roubo Nazista e a Busca Incansável por Justiça

A obra-prima de Modigliani, criada em 1918, foi confiscada pelas forças nazistas no início da Segunda Guerra Mundial. Oscar Stettiner, um galerista britânico com uma renomada galeria em Paris, foi forçado a fugir de sua casa e de sua coleção em 1939, escapando da perseguição nazista. Apesar de ter sobrevivido à guerra e ter tido seu direito sobre a obra reconhecido por um tribunal parisiense em 1946, Stettiner nunca recuperou a pintura e dedicou seus últimos anos à busca infrutífera por ela. Ele faleceu em 1948, deixando a missão para seus herdeiros.

O Reaparecimento da Obra e o Labirinto das Empresas Offshore

O quadro ressurgiu mais de cinco décadas depois, em 1996, em um leilão da Christie’s em Londres. Foi adquirido pela International Art Center (IAC), uma empresa offshore sediada no Panamá, por US$ 3,2 milhões. Por anos, a propriedade da IAC permaneceu obscura, com suspeitas recaindo sobre David Nahmad, conhecido por possuir uma das maiores coleções privadas de arte do mundo. A conexão entre Nahmad e a IAC só foi confirmada em 2016, com o vazamento dos Panama Papers, que revelou a estrutura complexa utilizada para manter a identidade dos proprietários em sigilo e, potencialmente, reduzir custos fiscais.

Decisão Judicial e o Futuro da Obra de Arte

Apesar de Nahmad alegar ter comprado a obra de boa-fé e desconhecer seu histórico de saque, a defesa de Maestracci apresentou provas contundentes, incluindo documentos que indicavam a propriedade de Stettiner e a ausência de qualquer comprovação de que ele tivesse se desfeito da obra voluntariamente. O juiz Joel Cohen, na decisão final, ressaltou que a defesa de Nahmad não apresentou evidências que identificassem outro proprietário legítimo. Atualmente, a pintura está armazenada em um complexo de armazéns na Suíça, de propriedade da família Nahmad. A decisão judicial encerra uma longa e intrincada batalha legal, trazendo um desfecho para a história de Oscar Stettiner e garantindo que sua obra de arte retorne ao seu legítimo herdeiro.

Fonte: neofeed.com.br

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