Acordo de Cooperação em Segurança
Brasil e Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (10.abr.2026) um acordo para intensificar a cooperação no combate a crimes transnacionais. O acordo, divulgado pela Receita Federal, é visto pelo governo brasileiro como um primeiro passo para uma parceria mais ampla, que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca consolidar em uma eventual viagem a Washington. No entanto, a negociação política com a administração de Donald Trump, sem data definida, deixa pontos cruciais em aberto.
Temas Sensíveis Pendentes
Questões de alta sensibilidade, como a possível classificação de facções criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, ficaram fora do acordo. Essa medida é defendida por setores do governo americano, mas encontra resistência no Brasil. Há receio no Planalto de que, sem um alinhamento direto entre os presidentes, os EUA possam avançar unilateralmente nessa questão, especialmente considerando discussões em andamento no Departamento de Estado.
Criptomoedas e Compartilhamento de Dados em Aberto
Outro ponto de interesse para o Brasil, a cooperação no combate à lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas, também não foi incluído no acordo recente. Além disso, propostas americanas para expandir o compartilhamento de dados, incluindo informações biométricas de solicitantes de asilo, enfrentam limites impostos pelo Brasil em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A recepção de deportados pelos EUA também é um tema sensível, com resistência interna no governo brasileiro.
Agenda Bilateral e Tensões Comerciais
O avanço na agenda de segurança ocorre em paralelo a tensões na área comercial, com o Brasil incluído na lista da “nova 301” dos EUA, que pode levar a restrições comerciais. O governo brasileiro considera a medida com forte componente político. Apesar das divergências, a derrubada de tarifas adicionais pela Suprema Corte dos EUA tem sido vista como um fator que pode abrir espaço para avançar em outras frentes da relação bilateral, como minerais críticos e comércio, na preparação para um futuro encontro presidencial.
O Que Foi Fechado: Projeto MIT e Desarma
O acordo firmado, batizado de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), foca no compartilhamento de informações sobre exportadores, remetentes e operadores logísticos em cargas suspeitas, com análise conjunta de contêineres em rotas sensíveis, como a Tríplice Fronteira. Paralelamente, o Brasil lançou o programa Desarma, um sistema informatizado para rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis.
Fonte: www.poder360.com.br

