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Oncoclínicas em Alerta: Sem Acordo com Credores, Empresa Admite “Incerteza Relevante” sobre Continuidade Operacional

Oncoclínicas em Alerta: Sem Acordo com Credores, Empresa Admite “Incerteza Relevante” sobre Continuidade Operacional

Deterioração da alavancagem, dívidas reclassificadas para o curto prazo e eventos inesperados pressionam liquidez da companhia, enquanto disputas internas e propostas de venda adicionam complexidade.

A Oncoclínicas, uma das maiores redes de tratamento oncológico do Brasil, enfrenta um cenário de alta complexidade financeira e operacional. A empresa admitiu em seu balanço anual uma “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional”, após não conseguir um acordo com credores quanto ao descumprimento de covenants (cláusulas contratuais de dívida).

Alavancagem em Alta e Dívidas Sob Pressão

A alavancagem da companhia apresentou uma deterioração significativa, com a relação dívida líquida/EBITDA saltando de 2,6 vezes para 3,5 vezes. Considerando ajustes contratuais, o indicador atinge 4,3 vezes, aproximando-se perigosamente dos limites estabelecidos em seus contratos de financiamento. Essa situação levou à reclassificação de uma parcela substancial da dívida para o curto prazo. Dos R$ 3,23 bilhões em dívidas totais, R$ 2,9 bilhões foram impactados pela quebra dos covenants, sendo que R$ 1,88 bilhão ainda não obteve a dispensa formal (waiver) dos credores.

Eventos Extraordinários e Falta de Quórum Agravam o Cenário

A liquidez da Oncoclínicas foi severamente pressionada por dois eventos extraordinários: a inadimplência da Unimed FERJ, que resultou em uma dívida de R$ 800 milhões não paga à companhia, e perdas de aproximadamente R$ 430 milhões em investimentos no Banco Master. A tentativa de renegociar os termos com os credores foi dificultada pela pulverização das dívidas, especialmente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e debêntures. A convocação de uma assembleia geral de debenturistas para tratar do tema não obteve quórum mínimo, adiando decisões cruciais.

Disputas Internas e Proposta de Venda

Paralelamente aos desafios financeiros, a Oncoclínicas lida com atritos internos significativos. Acionistas e membros do conselho de administração divergem sobre estratégias futuras, incluindo a gestão e a possibilidade de um aporte de capital. A proposta de venda para a Porto Seguro tem gerado particular controvérsia, com conselheiros expressando ressalvas quanto à condução do processo e à concessão de exclusividade. A situação culminou com a saída da CFO Camille Faria, que se opôs aos termos negociados. Em resposta, a Mak Capital, acionista com 6,3% do capital, propôs um aporte de R$ 500 milhões, condicionado à destituição do conselho atual, o que levou à convocação de uma nova assembleia de acionistas.

Perspectivas e Próximos Passos

A administração da Oncoclínicas reconhece que a continuidade operacional da empresa depende substancialmente do sucesso nas negociações de waivers com credores e da captação de novos recursos. Alternativas como o reperfilamento das dívidas financeiras e o aporte de capital de acionistas estão sendo avaliadas. Apesar da gravidade do cenário, o CEO Carlos Gil afirmou que, formalmente, nenhuma dívida está vencida antecipadamente até o momento. A auditoria independente, Deloitte, emitiu um parecer ressaltando os riscos de continuidade do negócio.

Fonte: neofeed.com.br

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