A democratização das ferramentas publicitárias
A inteligência artificial (IA) está promovendo uma revolução no mercado publicitário, nivelando o ponto de partida entre agências independentes e grandes conglomerados globais. Segundo Marcelo Rizério, Chief Creative Officer (CCO) e cofundador da Euphoria Creative, detentor de 27 Leões de Cannes, a tecnologia eliminou a barreira de investimento em softwares e plataformas que antes beneficiava apenas as agências de grande porte. Hoje, o acesso a ferramentas de ponta é democratizado, permitindo que agências menores disputem em igualdade de condições com as gigantes do setor.
“Dez anos atrás, uma agência de grande grupo pagava milhões em softwares e plataformas. Hoje é o mesmo preço para todo mundo”, afirmou Rizério em entrevista ao programa Revolução IA, do NeoFeed. Essa democratização, no entanto, não significa que todos alcancem os mesmos resultados. Com o acesso igualitário às ferramentas, a experiência, o repertório e a criatividade humana emergem como os verdadeiros diferenciais competitivos.
IA como ferramenta, não substituta da criatividade
A Euphoria Creative tem explorado o potencial da IA em suas produções, incluindo campanhas 100% geradas pela tecnologia, como a da Ticket, e projetos híbridos, como o da Hellmann’s. Em ambos os casos, a escolha pelo uso da IA não foi meramente por novidade ou para impressionar os clientes, mas sim estratégica. Na campanha da Ticket, o roteiro da própria peça publicitária brincava com o conceito do artificial, enquanto na Hellmann’s, a filmagem proposital de uma mão humana criou um contraste intencional com o restante da produção feita por IA.
Apesar da agilidade proporcionada pela IA, Rizério ressalta que ela não elimina etapas cruciais do processo produtivo. “O cliente ouviu ‘100% de inteligência artificial’ e achou que ia ficar pronto na semana seguinte. A gente teve que sentar e explicar: você ainda vai escolher se o personagem é homem ou mulher, alto ou baixo. A IA vem depois de tudo isso”, explicou.
A batalha pela atenção na era digital
Na visão de Rizério, o mercado publicitário atual opera na “economia da atenção”, onde as marcas competem não apenas entre si, mas também com o fluxo constante de informações nas redes sociais. Nesse cenário, ser ignorado é o pior dos destinos. Por isso, até mesmo campanhas que geram rejeição podem ser eficazes, pois mantêm a marca em evidência e alimentam os algoritmos. A relevância, segundo ele, muitas vezes se constrói através da conversa que a peça publicitária gera, independentemente de ser positiva ou negativa.
Um exemplo citado é a campanha da Volkswagen que trouxe Elis Regina de volta à vida através da IA. Apesar de ter dividido opiniões, a ação gerou ampla discussão, manteve a marca no radar e reforçou sua relevância.
Os riscos da desinformação e a responsabilidade da indústria
Contudo, Rizério alerta para os perigos do uso irresponsável da IA. A capacidade de recriar vozes, rostos e cenas com perfeição a ponto de tornar indistinguível o real do fabricado levanta sérias preocupações. “Ficou muito fácil enganar qualquer pessoa. A gente vai entrar num momento em que não vai ter mais certeza do que é real e do que não é. Cabe à nossa geração prevenir isso para a próxima não sofrer”, concluiu.
Fonte: neofeed.com.br

