quarta-feira, maio 6, 2026
HomeEconomiaGestoras de peso pressionam Tenda a fechar 'fábrica de casas' Alea após...

Gestoras de peso pressionam Tenda a fechar ‘fábrica de casas’ Alea após anos de prejuízo milionário

Ameaça corporativa contra a Alea

Um grupo de gestoras de investimento, entre elas AZ Quest, Ibiuna, Kinea e Vinci, uniu forças para pressionar a Tenda, construtora focada em habitação popular, a encerrar as operações da sua subsidiária Alea. A Alea, responsável pela fabricação de casas em um modelo industrializado (off site) com o sistema construtivo wood frame, tem sido um dreno financeiro para a companhia, acumulando prejuízos significativos ao longo dos anos.

A reunião, articulada pelo J.P. Morgan após a divulgação dos resultados da Tenda no início de março, teve como objetivo principal expor o descontentamento dos investidores minoritários com o desempenho da Alea. Segundo fontes, a cobrança por uma decisão de descontinuidade do projeto foi direta, com gestores afirmando que a operação “segura a alta da ação” e “destrói valor com o nosso dinheiro”.

Prejuízos recorrentes e projeções adiadas

Criada com a promessa de revolucionar a construção civil através da escala e redução de custos, a Alea tem se mostrado um projeto problemático. A subsidiária acumula perdas de R$ 500 milhões em cinco anos e, o que era para atingir o ponto de equilíbrio (breakeven) em 2025, agora tem sua expectativa postergada para 2027. No último trimestre de 2025, a Alea registrou um prejuízo de R$ 50,2 milhões, com margens brutas e Ebitda negativos.

A AZ Quest, uma das gestoras mais vocais na crítica, dedicou sua carta aos investidores de março ao tema, questionando a persistência em “investimentos que deixam de fazer sentido”. A gestora aponta que, em vez de se pagar, a operação se tornou um “P&D (Pesquisa e Desenvolvimento)” sem prazo para acabar, o que levanta dúvidas sobre a disciplina de capital da Tenda.

Tenda defende a Alea como aposta de longo prazo

Apesar das críticas contundentes, o presidente do conselho da Tenda, Cláudio Andrade, defendeu a Alea como um investimento com potencial de longo prazo. Ele comparou a necessidade de paciência com os investidores à de Elon Musk, sugerindo que as perdas representam um investimento em “P&D”. A construtora argumenta que a Alea representa apenas 1% de sua receita e que a iniciativa tem potencial de geração de valor ao atuar no mercado de incorporação de casas e suprir a carência de mão de obra.

A Tenda reafirmou que o Conselho de Administração acompanha a evolução da Alea e está aberto ao diálogo com os acionistas. No entanto, a pressão das gestoras evidencia a tensão entre a estratégia de longo prazo defendida pela administração e a busca por resultados e eficiência financeira por parte dos investidores, especialmente em um cenário onde o core business da companhia apresenta recuperação e bons resultados.

Governança e disciplina de capital em xeque

A insatisfação das gestoras também atinge a governança corporativa da Tenda. A AZ Quest sugere que estruturas de poder e incentivos podem levar à manutenção de decisões de investimento insatisfatórias. A crítica implícita é que, em vez de servir como mecanismo de controle, a governança pode estar atuando como um escudo para decisões questionáveis, levantando a dúvida sobre quem está sendo realmente protegido quando a resposta a questionamentos legítimos é “se não concorda, venda”.

O desfecho dessa disputa pode ter um impacto significativo na percepção do mercado sobre a disciplina de capital da Tenda, mesmo com a ação da empresa apresentando valorização expressiva na B3. A questão central permanece: até que ponto faz sentido alocar recursos em uma tese que, até o momento, não se provou viável financeiramente?

Fonte: neofeed.com.br

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -
Google search engine

Most Popular

Recent Comments