quinta-feira, maio 7, 2026
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Frade e Artista: Sidival Fila Une Fé e Arte em Exposição Inédita no Brasil com Tecidos Antigos

Frade e Artista: Sidival Fila Une Fé e Arte em Exposição Inédita no Brasil com Tecidos Antigos

A mostra “A dignidade da matéria” em São Paulo revela o trabalho do franciscano que resgata tecidos históricos e destina lucros a projetos sociais, pela primeira vez em solo brasileiro.

O frade franciscano Sidival Fila, conhecido por sua jornada singular entre a espiritualidade e a expressão artística, apresenta pela primeira vez no Brasil sua obra na exposição “A dignidade da matéria”, em cartaz na galeria Luisa Strina, em São Paulo. O artista, radicado na Itália, utiliza em suas criações tecidos antigos, muitos com mais de 200 anos, devolvendo-lhes valor e significado, uma prática que ele compara ao acolhimento de pessoas marginalizadas pela sociedade.

Da Pintura à Vocação Religiosa: Um Retorno à Arte com Propósito

Nascido em Arapongas (PR) em 1962, Sidival Fila mudou-se para a Itália com o sonho de estudar arte em Paris, mas se encantou por Roma e decidiu permanecer. Sua produção artística inicial transitava entre o expressionismo e o cubismo, evoluindo para a abstração com um foco crescente na textura e na materialidade dos tecidos. Contudo, uma crise existencial o levou a ingressar na Ordem dos Frades Menores. Anos depois, ao ministrar oficinas de restauro, o contato com o fazer manual reacendeu seu impulso criativo. “Senti vontade de pintar um quadro”, relembra Fila, que então redescobriu sua paixão pela arte, agora enriquecida por uma nova perspectiva.

A “Epifania da Matéria”: Resgate e Revelação

A essência do trabalho de Fila reside na sua crença de que “a matéria carrega significado, tempo e memória”. Os tecidos, muitas vezes doados por pessoas que não lhes veem mais utilidade, são cuidadosamente restaurados e integrados às telas. “Minha obra é um trabalho de resgate”, explica o artista. “Tenho essa sensibilidade em relação a coisas que já não têm valor para o mundo. Eu as recupero e lhes devolvo valor.” Ele descreve esse processo como uma “epifania da matéria”, uma revelação da beleza intrínseca em materiais esquecidos, uma forma de “mostrar, de fazer ver”.

Conciliando Fé, Arte e Filantropia: A Fundação Sidival Fila

A crescente demanda por suas obras, que o levou a participar da Bienal de Veneza em 2019, apresentou um desafio: conciliar o sucesso artístico com o voto de pobreza franciscano. A solução veio em 2021 com a criação da Fundação Sidival Fila. “Com a fundação, o dinheiro não é mais meu”, afirma Fila. “Para mim, foi uma grande libertação.” A totalidade dos lucros obtidos com a venda de sua arte é destinada a projetos sociais voltados a crianças em situação de vulnerabilidade em todo o mundo, oferecendo uma nova chance a quem foi deixado à margem, assim como ele faz com os tecidos.

O Diálogo entre o Sagrado e o Material no Mundo da Arte

Sidival Fila reconhece a dualidade do mundo da arte, frequentemente associado a excessos como vaidade e um mercado financeiro volátil. Para ele, no entanto, a chave está na “liberdade interior”. Ao não possuir o dinheiro gerado por sua arte e destiná-lo integralmente à fundação, ele se desvincula das armadilhas materiais. “A arte acaba virando investimento”, observa. “Aquilo que é espiritual se torna excessivamente material. Mas, infelizmente, a arte sempre teve esse compromisso.” Fila convive com essa tensão, concentrando-se em revelar a beleza perdida na matéria, em vez de buscar transformá-la.

Fonte: neofeed.com.br

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