Fim de um ciclo na B3
A T4F Entretenimento, gigante do setor de eventos e shows, anuncia sua intenção de deixar a Bolsa de Valores brasileira (B3). O acionista controlador, Fernando Alterio, protocolou um pedido junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para uma oferta pública unificada de aquisição de ações. A proposta de Alterio é de R$ 5,59 por ação, representando um prêmio de 26% sobre o valor de fechamento anterior, o que totaliza aproximadamente R$ 16 milhões para a aquisição das ações em circulação.
Custos e liquidez como motrizes da decisão
A T4F justificou a saída da bolsa alegando a necessidade de atender aos interesses da companhia, citando os “custos de manutenção do registro de companhia aberta”. Além disso, a empresa aponta a “ausência de perspectivas para ampliação da liquidez dos valores mobiliários da companhia e de oportunidades de investimento por meio de emissões no mercado de capitais no Brasil no curto e médio prazo”. A T4F fez sua estreia na B3 em abril de 2011, com um IPO que arrecadou R$ 539,3 milhões. Desde então, suas ações acumularam uma desvalorização de 72,2%, resultando em um valor de mercado atual de R$ 37 milhões.
Tendência de saída e recompra de ações
A decisão da T4F se insere em um contexto mais amplo de empresas buscando se deslistarem da B3 ou reduzirem sua presença no mercado. Um levantamento recente indica que 32 companhias deixaram a bolsa brasileira desde 2023, por uma variedade de razões, incluindo aquisições estratégicas, como no caso da Desktop pela Claro, e decisões internas de negócios, como a da T4F. Paralelamente, a liquidez do mercado tem sido impactada por programas de recompra de ações. Iniciativas desse tipo somam um volume pretendido de R$ 89,8 bilhões, distribuídos em 113 operações de 95 empresas, segundo dados do Itaú BBA.
O futuro da liquidez na B3
A saída da T4F segue o caminho de outras empresas de peso que já deixaram ou manifestaram intenção de deixar a B3, como Gol, Neoenergia e Eletromídia. A dinâmica de recompra de ações, impulsionada por empresas como Azul, Vivo, Gerdau, Simpar e Melnick, também contribui para a redução do volume de ações negociadas. Em 2024, foram recomprados R$ 3,5 bilhões em ações até meados de março, uma queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025. Embora o número de novos programas de recompra tenha diminuído em 2024 em comparação com o recorde de 2023, o volume negociado ainda se mantém expressivo, aproximando-se dos patamares de 2022.
Fonte: neofeed.com.br

