A Ferrogrão, projeto de ferrovia que visa ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA), encontra-se em um impasse financeiro e técnico, com estimativas de custos que explodiram de R$ 11,45 bilhões para R$ 36,86 bilhões, um aumento de 800%. A obra, que se arrasta por mais de uma década, levanta sérias preocupações sobre sua viabilidade e racionalidade para a infraestrutura brasileira.
Custos Subestimados e Baixo Retorno Financeiro
Especialistas como Claudio Frischtak, sócio-fundador da Inter.B Consultoria, criticam os parâmetros apresentados ao Tribunal de Contas da União (TCU), considerando-os desconectados da realidade econômica atual. Frischtak aponta que os custos de implantação e a complexidade logística na Amazônia tornam as estimativas oficiais obsoletas. A taxa de retorno efetiva do projeto, em um cenário realista, seria de apenas 1,6%, muito inferior aos 11,04% projetados pelo governo. Sem um aporte público de pelo menos R$ 32,5 bilhões, o projeto dificilmente atrairá investidores privados, forçando o Estado a arcar com a maior parte dos custos.
Irregularidades na Análise de Custo-Benefício e Impactos na BR-163
Estudos do Instituto Socioambiental (ISA) revelam falhas graves na análise de custo-benefício do governo, que teria invertido conceitos básicos ao tratar custos de investimento e operação como benefícios sociais. Essa distorção esconde o verdadeiro peso financeiro para o contribuinte e ignora o custo de oportunidade para o país. Além disso, a utilização da BR-163 como via de serviço para a construção da ferrovia pode gerar um colapso no corredor de exportação, com um aumento estimado de 218% no tráfego diário de caminhões apenas para a terraplanagem.
Alertas do TCU e Preocupações Socioambientais
O TCU também manifestou preocupações sobre a viabilidade financeira e a clareza jurídica do projeto. A unidade técnica de fiscalização identificou uma insuficiência de verba, com fontes de investimento cruzado somando R$ 2,25 bilhões, bem abaixo do previsto. Os custos socioambientais tiveram uma explosão alarmante, saltando de R$ 42 milhões para R$ 799 milhões. Lideranças indígenas e órgãos de controle reforçam que o traçado impacta terras protegidas, exigindo consultas prévias que não foram realizadas. A insistência em um projeto com baixa taxa de retorno social e que ignora os alertas socioambientais é vista como um erro estratégico, que desconsidera a Amazônia como um território vivo.
Fonte: neofeed.com.br

