Mansueto Almeida Orienta Futuro Ministro da Fazenda: Revisões Urgentes em Salário Mínimo, Programas Sociais e Tributação
Ex-secretário do Tesouro sugere ajustes na política de correção salarial, maior foco em programas sociais e fim de regimes tributários especiais para estabilizar as contas públicas.
Em um cenário de expectativas econômicas para o próximo governo, Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, apresentou suas recomendações para os primeiros 100 dias do futuro ministro da Fazenda. Durante a Brazil Conference 2026, realizada em Boston, Almeida enfatizou a necessidade de reformas estruturais que, embora impopulares, são cruciais para a saúde fiscal do país.
Revisão da Política de Salário Mínimo: Um Equilíbrio Necessário
Um dos pontos centrais da argumentação de Almeida é a política de correção do salário mínimo. Ele sugere que, em um contexto de pleno emprego, onde a própria dinâmica do mercado de trabalho já impulsiona os salários para cima, um aumento menor poderia ser mais adequado. Almeida ressalta que o impacto nas contas públicas de correções anuais elevadas é substancial e que essa política precisa ser revista para evitar pressões fiscais desnecessárias. A proposta não é eliminar os aumentos, mas sim ajustá-los a um patamar mais sustentável.
Programas Sociais: Eficiência e Foco no Público Certo
O economista também propôs uma reavaliação criteriosa dos programas sociais, como o Bolsa Família. A sugestão é analisar se os recursos estão, de fato, alcançando aqueles que mais necessitam e se o escopo atual é o mais eficiente. Almeida exemplificou com a evolução do Bolsa Família, que expandiu significativamente em número de famílias atendidas e custo anual. Ele questiona se um público-alvo ligeiramente menor, mas com um custo anual inferior, não seria uma alternativa mais responsável, liberando recursos para outras áreas ou para o controle da dívida.
Regimes Especiais de Tributação: Combate a Distorções
Outra frente de atuação sugerida por Mansueto Almeida é a redução dos regimes especiais de tributação. Ele aponta distorções significativas no sistema tributário brasileiro, como a permissão para deduzir integralmente gastos com saúde da base de cálculo do Imposto de Renda. Almeida argumenta que essa prática não é comum em países com sistemas de saúde universais e que sua manutenção gera um benefício fiscal desproporcional. A simplificação e a eliminação de privilégios tributários são vistas como essenciais para aumentar a arrecadação e tornar o sistema mais justo.
Expectativas do Mercado: Controle da Dívida a Longo Prazo
Por fim, Almeida destacou que o mercado financeiro não espera soluções imediatas ou cortes drásticos de gastos. O que se busca é a clareza e a certeza de que o governo tem um plano consistente para controlar o crescimento da dívida pública ao longo de um horizonte de quatro a cinco anos, com a dívida eventualmente entrando em trajetória de queda. A sinalização de responsabilidade fiscal e a adoção de medidas estruturais são vistas como fundamentais para a estabilidade econômica do Brasil.
Fonte: neofeed.com.br

