Fortalecendo Pontos Fortes em Saúde Pública
O Brasil e o Reino Unido intensificaram sua colaboração em saúde, com foco em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e aprimoramento de sistemas de saúde públicos. Representantes dos dois governos reuniram-se no Rio de Janeiro para trocar experiências científicas e de inovação, reforçando uma parceria que busca ir além de acordos individuais entre instituições.
A embaixadora do Reino Unido no Brasil, Stephanie Al-Qaq, destacou a semelhança entre os sistemas de saúde dos dois países como um motor para a aproximação. “Acredito que a situação econômica e geopolítica mundial eleva a necessidade de avançarmos nas inovações em saúde”, afirmou Al-Qaq, ressaltando a oportunidade de fortalecer a relação bilateral e identificar novas áreas de trabalho mútuo.
Renovação de Parcerias e Foco em Inovação
Em outubro de 2025, Brasil e Reino Unido renovaram sua parceria bilateral, com ênfase na troca de experiências entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o National Health Service (NHS). A colaboração abrangerá áreas como mudanças climáticas, saúde pública, igualdade racial em saúde, preparação para pandemias e saúde digital. Em dezembro, um acordo para o fortalecimento das políticas de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e de acesso a tratamentos inovadores foi formalizado.
O governo brasileiro busca, com essas novas alianças, fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e a autonomia tecnológica do SUS. A embaixadora Al-Qaq vê o Reino Unido como um parceiro importante para auxiliar o Brasil na transferência de tecnologia e no desenvolvimento da base industrial na área de saúde.
Governança de Tecnologias e Dados em Saúde
Outro ponto de interesse para o Reino Unido é a governança política do uso de tecnologias e dados em saúde. Ambos os países compartilham a preocupação com a proteção de dados sensíveis e a definição de responsabilidades no uso de inteligência artificial (IA) e cibersegurança na saúde. O Reino Unido, que realizou em 2023 a primeira cúpula mundial sobre IA, busca trabalhar em conjunto com o Brasil no desenvolvimento de estratégias nessas áreas.
Aprimoramento da Avaliação de Tecnologias e Negociação de Preços
Uma das prioridades para 2026 é a cooperação entre a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido. O objetivo é discutir estratégias de negociação de preços para garantir o equilíbrio entre o acesso a novas tecnologias e a sustentabilidade do sistema público. A iniciativa visa criar diretrizes para o fortalecimento da ATS, promover a troca de especialistas e aprimorar a transparência e a gestão de conflitos de interesse nos processos da Conitec.
Brad Groves, diretor do NICE Advice, explicou que o Reino Unido prioriza soluções comerciais simples e negociações que garantam custo-efetividade, trabalhando em conjunto com a indústria para acordos complexos quando necessário. A parceria também busca agilizar a análise e incorporação de novas tecnologias pelo SUS, tornando os processos mais rápidos e eficientes.
Parcerias Estratégicas em Pesquisa e Desenvolvimento
A saúde é uma prioridade estratégica para o Reino Unido, que almeja ser líder global em pesquisa clínica e biofarmacêutica. A cooperação com o Brasil é vista como fundamental para o avanço nesses objetivos. Instituições brasileiras como a Fiocruz e o Instituto Butantan são de interesse britânico em áreas como o desenvolvimento de vacinas para dengue, doenças autoimunes e negligenciadas.
Um acordo recente entre o Ministério da Saúde e a Universidade de Oxford visa acelerar o desenvolvimento de terapias imunológicas inovadoras e tecnologias de RNA mensageiro (RNAm) para o tratamento de câncer. A parceria inclui eixos estratégicos em imunologia, oncologia, IA para vacinas personalizadas e um acelerador de ensaios clínicos binacional.
Intercâmbio de Boas Práticas entre SUS e NHS
O fortalecimento dos sistemas de saúde e o intercâmbio entre o SUS e o NHS também são centrais para a parceria. O NHS tem adotado iniciativas brasileiras de atenção primária à saúde, como a Estratégia Saúde da Família e a atuação de agentes comunitários de saúde. Um projeto piloto iniciado em 2021 no Reino Unido, inspirado no modelo brasileiro, expandiu-se para 25 localidades, demonstrando resultados positivos no aumento do uso de serviços preventivos e na vacinação.
Pesquisadores como Matthew Harris, do Imperial College London, destacam a riqueza dessa troca de experiências, ressaltando o potencial do Brasil em áreas como cirurgia plástica e produção de vacinas. Por outro lado, o Reino Unido pode auxiliar o SUS no aprimoramento de mecanismos de referência e contra-referência entre os níveis de atenção, evidenciando as oportunidades de aprendizado mútuo entre sistemas de saúde complexos.
Fonte: futurodasaude.com.br

