quarta-feira, maio 6, 2026
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SoftBank Muda Tática na América Latina: Foco em IA, Caixa e Paciência Substitui “Crescer a Qualquer Custo”

O Fim da Era “Crescer a Qualquer Custo”

O cenário de investimentos em startups na América Latina passou por uma transformação significativa. Após um período de alocação agressiva de capital, que impulsionou a criação de diversos unicórnios na região entre 2019 e 2021, o SoftBank, um dos protagonistas dessa fase, ajustou sua estratégia. Alex Szapiro, head do Brasil e managing partner do fundo na América Latina, concedeu entrevista ao NeoFeed, onde detalhou as mudanças.

“Crescer primeiro e ajustar depois ficou no passado”, afirma Szapiro. O contexto macroeconômico atual, marcado pelo fim do “dinheiro barato”, exige uma abordagem mais cautelosa e focada em fundamentos sólidos. A prioridade agora é a geração de caixa, previsibilidade e disciplina financeira. Essa mudança se reflete nos números: 96% das empresas do portfólio atual do SoftBank possuem capacidade de gerar caixa e um runway superior a 18 meses, um salto considerável em relação a 2021.

Novo “Manual” de Investimento: Caixa, IA e Produtos Inovadores

O SoftBank agora direciona seus aportes, que variam entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões, para empresas em estágios mais avançados e com comprovada capacidade de gerar caixa. A “obsessão por unicórnios” deu lugar a um interesse por negócios sustentáveis e rentáveis. Para receber um cheque do fundo, as empresas precisam demonstrar um forte viés de Inteligência Artificial (IA), tanto em sua equipe quanto em como a tecnologia impulsiona a produtividade, e oferecer produtos que sejam difíceis de copiar.

“Não adianta chegar com o tamanho do cheque que temos em uma empresa muito inicial. Eu vou diluir demais o fundador”, explica Szapiro, destacando que o fundo está em um período de “entressafra”, aguardando que muitas companhias amadureçam para se tornarem “investíveis” pelos critérios de growth stage.

Gestão do Portfólio e Transações Secundárias em Foco

Diante do novo cenário, o SoftBank tem concentrado seus esforços na gestão do portfólio existente. Isso inclui a participação em novas rodadas de follow-on para empresas já investidas e a realização de transações secundárias, onde o fundo vende parte de sua participação em empresas promissoras para trazer novos sócios ao cap table. Exemplos como Omie e CRMBonus em saídas parciais, e Kavak, Merama e Ualá em follow-ons, ilustram essa estratégia.

Apesar de não ter alocado capital em novas empresas nos últimos meses, Szapiro assegura que o fundo continua ativo na prospecção e no acompanhamento do mercado, mantendo um pipeline robusto com mais de 100 empresas avaliadas no último ano. O foco está em construir relacionamentos e identificar as oportunidades que se alinham com os novos critérios rigorosos do fundo.

O Futuro dos IPOs e Lições Aprendidas

A visão sobre IPOs também mudou. Se antes o otimismo era elevado, agora o SoftBank projeta um cenário misto, com saídas ocorrendo tanto via IPO quanto por aquisições estratégicas. Empresas como Wellhub, Rappi, QuintoAndar e Kavak estão entre as que possuem potencial para futuras ofertas públicas, mas a decisão entre listar no Brasil ou nos Estados Unidos dependerá do porte, crescimento e aspirações globais de cada negócio.

Szapiro também reflete sobre lições aprendidas, como a experiência com investimentos em early stage, onde o fundo percebeu que não possuía a expertise ideal, e a necessidade de maior disciplina no “path to profitability” em detrimento do crescimento a qualquer custo. A relação com os fundadores é comparada a um casamento: baseada em parceria, mas com momentos de “DR” (discussão de relacionamento) necessários para o crescimento mútuo.

Fonte: neofeed.com.br

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