quarta-feira, maio 6, 2026
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EUA sob Trump 2.0: De Guardião Global a Risco Sistêmico, Avalia Eurasia Group

O Fim da Era de Segurança e o Surgimento de um Fator de Risco

A tradicional imagem dos Estados Unidos como pilar da estabilidade e fluidez do comércio global teria sido substituída por um papel de risco sob uma hipotética administração Trump 2.0. Essa é a tese central defendida por Jon Lieber, diretor de geopolítica do Eurasia Group, que aponta para um desmantelamento da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

Lieber argumenta que instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU), antes pilares da diplomacia e resolução de disputas, estão sendo desconstruídas. Em vez de acordos de longo prazo, o mundo entraria na era dos “veículos de propósito específico”, onde alianças são formadas e dissolvidas com base em interesses imediatos, caracterizando um “transacionalismo” agressivo.

Impacto Geopolítico e Econômico: Oriente Médio e o Preço do Petróleo

O conflito no Oriente Médio é citado como um exemplo palpável das consequências dessa nova abordagem. A capacidade logística americana para garantir a livre navegação, especialmente no Estreito de Ormuz, estaria em xeque, com falhas críticas em equipamentos e a necessidade de manutenção de navios em locais distantes. Esse “apagão” logístico, segundo Lieber, é subestimado pelo mercado, que precifica uma rápida resolução.

A projeção é de que o preço do petróleo possa ultrapassar os US$ 150 por barril, beneficiando exportadores como Rússia e Venezuela, ao mesmo tempo em que sufoca economias dependentes de energia importada, como as do Sudeste Asiático e da Europa. Essa escalada de preços e a instabilidade no fornecimento geram incertezas significativas para a economia global.

Cenário Doméstico: Volatilidade Eleitoral e a Independência do Fed

No âmbito doméstico americano, a insatisfação popular com a inflação é vista como um fator de “volatilidade eleitoral sem precedentes”, com potencial para impactar significativamente as próximas eleições. O cenário para 2028 aponta para um Partido Democrata com um elenco robusto de potenciais candidatos, enquanto a independência do Federal Reserve (Fed) deve ser mantida, não por uma questão de princípio, mas como uma necessidade para a sobrevivência política em meio a um crescente endividamento público.

Diversificação de Parcerias e a Busca por Autonomia

Países historicamente aliados, como o Canadá, estariam sentindo os efeitos dessa mudança de postura americana. A percepção de traição por parte de um “melhor amigo” leva o Canadá a buscar diversificar suas parcerias, incluindo acordos com a Coreia do Sul para reduzir a dependência militar e a abertura para veículos elétricos chineses como forma de equilibrar as relações. Essa busca por autonomia reflete um mundo cada vez mais multipolar e cauteloso em relação à dependência de uma única potência.

Fonte: neofeed.com.br

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