Natura Limpa Balanço e Ações Disparam: CEO Busca Consistência para Recuperar Confiança Após Reestruturação Complexa
Com venda de ativos como Aesop e The Body Shop e integração da Avon na América Latina concluídas, a empresa reverte prejuízos e foca em expansão de receita e rentabilidade para reconquistar investidores em cenário desafiador.
As ações da Natura apresentaram uma forte alta na B3, impulsionadas pela divulgação de seus resultados do quarto trimestre de 2025. A valorização de quase 10% no pregão e um acumulado de 25,7% no ano sinalizam um momento de virada após um período de reestruturação intensiva. No entanto, a companhia, avaliada em R$ 12,8 bilhões, ainda enfrenta o desafio de consolidar a confiança dos investidores, que demandam consistência em seus resultados.
Foco em Consistência e Fim da Reestruturação
João Paulo Ferreira, CEO da Natura, enfatizou a necessidade de mostrar, de forma consistente, a expansão de receita, rentabilidade e geração de caixa. Essa busca por estabilidade é o cerne da estratégia após a conclusão de uma ampla reestruturação iniciada em meados de 2022. O plano envolvia a venda de ativos estratégicos, como a Aesop e a The Body Shop, e a finalização da complexa integração das operações da Avon na América Latina, incluindo os mercados do México e Argentina.
Resultados Mistos e Novos Caminhos para o Crescimento
O balanço do quarto trimestre de 2025 apresentou um lucro líquido de R$ 186 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 277 milhões do mesmo período em 2024. Excluindo um provisionamento não recorrente relacionado à venda da The Body Shop, o lucro líquido das operações continuadas teria alcançado R$ 620 milhões. Apesar do lucro, a receita líquida trimestral registrou uma queda de 12,1%, totalizando R$ 6,1 bilhões, reflexo da desaceleração do consumo no Brasil e de instabilidades na Argentina. Para reverter esse quadro, a Natura implementou novos incentivos para sua força de vendas e planeja o fortalecimento de seu portfólio de lançamentos a partir do segundo trimestre de 2026, além do relançamento da marca Avon no Brasil e México, com foco em um público mais jovem e conectado às redes sociais.
Desafios Macroeconômicos e Novo Modelo Operacional
A companhia reconhece os desafios macroeconômicos e globais, como a instabilidade de preços de insumos ligados ao petróleo, em decorrência de conflitos internacionais. Para navegar neste cenário, a Natura está adotando um novo modelo operacional, caracterizado por menos camadas hierárquicas, eliminação de duplicações e agilidade na tomada de decisões. A redução significativa no número de sistemas operacionais na América Latina, de mais de 800 para menos de 300, é um exemplo dessa otimização, visando uma operação mais integrada e focada no cliente.
Perspectivas e Confiança no Futuro
A CFO da Natura, Silvia Vilas Boas, destacou a consistência na expansão da rentabilidade na América Latina e a confiança de que, com a operação “limpa”, a empresa destravará ainda mais valor. A redução da dívida líquida e da alavancagem também são pontos positivos apresentados. A expectativa é que, com a simplificação das operações e a execução das novas estratégias, a Natura consiga demonstrar a consistência necessária para reconquistar a confiança plena do mercado.
Fonte: neofeed.com.br

