Desafios na Integração e Impacto no Brasil
Desde a aquisição do Credit Suisse pelo UBS em 2023, a operação de wealth management no Brasil tem enfrentado turbulências significativas. Choques culturais entre profissionais, alta rotatividade de clientes (churn), insatisfação com produtos oferecidos e uma queda na captação líquida resultaram em um prejuízo de aproximadamente R$ 500 milhões para a unidade brasileira no ano passado. Fontes do mercado apontam que, enquanto o banco investe pesadamente em integração e tecnologia, a rentabilidade efetiva tem vindo principalmente das contas offshore de brasileiros administradas globalmente.
Reorganização Estratégica e Foco no Offshore
Em resposta aos desafios, o UBS promoveu uma reorganização em sua área de Global Wealth Management na América Latina, com mudanças estratégicas já implementadas desde 2024. A principal alteração envolveu a migração do booking das operações offshore de Bahamas, antes utilizado pelo Credit Suisse, para a Suíça, utilizando a plataforma do UBS. O objetivo é otimizar a rentabilidade deste segmento, que se tornou o pilar financeiro da operação brasileira.
Mudanças na Liderança e Repercussão no Mercado
A nova estrutura organizacional na América Latina centraliza a liderança em Marcello Chilov, egresso do Credit Suisse. No Brasil, Rafael Gross assumiu como responsável pelo mercado, enquanto Luiz Alberto Borges atua no desenvolvimento de negócios. Daniel Carvalho lidera a mesa local, e José Renato Carvalho e Leonardo Bulgarelli ocupam posições de destaque em suas respectivas áreas. No entanto, essa reorganização é vista pelo mercado como um reflexo de “rachaduras internas” e uma possível “tomada de controle” de executivos do Credit Suisse sobre a operação do UBS no país, evidenciando a urgência do banco em reverter o quadro e buscar maior lucratividade.
Perdas e Concorrência em um Mercado Competitivo
A fusão também trouxe consigo a herança de problemas do antigo Credit Suisse, como o investimento no Banco Modal, que resultou em perdas significativas para os clientes. Além disso, a gestão de fundos de energia e a polêmica envolvendo a antiga fábrica da Ford em São Bernardo do Campo geraram desgastes e desconfiança. Em paralelo, enquanto o UBS lida com a integração e a tentativa de reestruturação, concorrentes como Itaú Private e Bradesco consolidaram suas posições, superando o UBS em volume sob custódia. A operação de wealth do UBS, somando private e family office, gerencia cerca de R$ 250 bilhões, um indicativo da desidratação do private banking herdado do Credit Suisse, que já administrou cerca de R$ 250 bilhões.
Fonte: neofeed.com.br

