Brasil e Bolívia fortalecem combate ao crime transnacional
O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, formalizou nesta segunda-feira (16 de março de 2026) um acordo de cooperação com a Bolívia para intensificar o combate ao crime organizado transnacional. A assinatura ocorreu durante a visita oficial do presidente boliviano Rodrigo Paz ao Palácio do Planalto.
O pacto estabelece um compromisso mútuo para agir conjuntamente contra uma série de atividades criminosas que ultrapassam as fronteiras nacionais. Entre os crimes abrangidos pelo acordo estão o tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, narcotráfico, lavagem de dinheiro, mineração ilegal, tráfico de armas, crimes cibernéticos, crimes ambientais e roubo de veículos.
Aprofundamento da cooperação e troca de inteligência
Um dos principais avanços do acordo reside no aprofundamento da cooperação entre os dois países. Brasil e Bolívia poderão compartilhar informações de inteligência em tempo real, detalhando rotas, perfis de suspeitos e os métodos operacionais de organizações criminosas. O pacto também prevê o intercâmbio de antecedentes criminais, a busca conjunta por foragidos da justiça e a realização de operações coordenadas nas áreas de fronteira.
Foram criados grupos de trabalho específicos para lidar com temas cruciais como lavagem de dinheiro e a circulação de veículos roubados. Contudo, o acordo estabelece que os canais formais de cooperação jurídica internacional, como pedidos de extradição, continuarão seguindo os trâmites tradicionais. Foi anunciado que o texto também prevê penas mais duras para esses delitos nos dois países, embora essa especificidade não tenha sido encontrada no documento divulgado.
Contexto de negociações com os EUA
A assinatura deste acordo com a Bolívia ocorre em um momento delicado, enquanto o Brasil ainda negocia as condições impostas pelos Estados Unidos para a cooperação no combate ao crime organizado. A pauta tem sido prioritária nas relações bilaterais com Washington, que tem feito exigências, como a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas, às quais o governo Lula tem resistido.
O presidente Lula destacou a integração da América Latina como uma “necessidade histórica”, enfatizando que ela não se trata de um projeto ideológico. Ele também relembrou as tentativas de ruptura democrática enfrentadas tanto pelo Brasil quanto pela Bolívia, reforçando a importância da união regional. “Somente uma América do Sul integrada poderá representar o lugar que merece na economia e na política global”, declarou Lula.
Outros acordos e agenda conjunta
Durante a visita do presidente boliviano, além do acordo de cooperação em segurança, Brasil e Bolívia assinaram outros pactos bilaterais. Ministros do governo brasileiro acompanharão Paz em São Paulo nesta terça-feira (17 de março) para participar de um fórum empresarial, demonstrando a amplitude das relações entre os dois países.
A cerimônia de assinatura contou com a presença dos chanceleres Mauro Vieira (Brasil) e Fernando Hugo Guarama (Bolívia), além de outros ministros e autoridades dos dois governos.
Fonte: www.poder360.com.br

