Preocupações com endividamento da CSN ressurgem após divulgação de resultados
As ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) sofreram uma queda expressiva de mais de 10% no início da tarde desta quinta-feira (12/03/26), após a empresa divulgar seu balanço referente ao quarto trimestre de 2025. O mercado reagiu negativamente ao aumento da relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), um indicador chave da saúde financeira de uma companhia, mesmo com a CSN declarando a redução do endividamento como prioridade.
Dívida líquida sobe e alavancagem atinge 3,5 vezes
No período, a CSN registrou um prejuízo de R$ 721 milhões, um salto de oito vezes em comparação com o mesmo período do ano anterior. Mais preocupante para os investidores foi o aumento de R$ 3,7 bilhões na dívida líquida, que agora totaliza R$ 41 bilhões. Com isso, a alavancagem financeira da empresa subiu de 3,1 vezes para 3,5 vezes, um patamar considerado elevado em um cenário de juros altos.
Diretoria aposta na venda de ativos para reverter quadro
Diante da forte reação do mercado, a diretoria da CSN buscou acalmar os ânimos em teleconferência de resultados. O CEO Benjamin Steinbruch enfatizou que o aumento do endividamento foi pontual e restrito ao quarto trimestre, projetando uma recuperação já no primeiro trimestre de 2026. A esperança da companhia reside no plano de desinvestimento anunciado em janeiro, que visa reduzir a dívida em R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões com a venda de ativos estratégicos.
Venda de cimentos avançada, infraestrutura mais complexa
O processo de venda da unidade de cimentos está em estágio avançado, com propostas de interessados, a maioria da Ásia, segundo o CFO Antonio Marco Rabello. A expectativa é de que os acordos sejam fechados ainda no terceiro trimestre de 2026. Já a venda dos ativos de infraestrutura, embora conversas tenham se iniciado antes, apresenta maior complexidade, demandando a consolidação de ativos e aprovações regulatórias.
Empréstimo bilionário em negociação e cautela dos analistas
Paralelamente às negociações de venda, a CSN está em processo de negociação de um empréstimo de até US$ 1,5 bilhão, utilizando a unidade de cimentos como colateral. A operação, que havia sido temporariamente suspensa devido a notícias negativas no mercado de crédito corporativo e à instabilidade geopolítica, está agora em fase madura, com expectativa de assinatura em breve. Apesar do otimismo da gestão, analistas de mercado expressam cautela, apontando a elevada alavancagem da CSN como um fator de risco em um ambiente de juros altos e destacando outras empresas do setor siderúrgico e de mineração com teses mais atrativas.
Fonte: neofeed.com.br

