Combo de Riscos Ameaça Fundamentos Corporativos
O cenário empresarial na América Latina, com foco especial no Brasil, está sob o impacto de uma ‘tempestade perfeita’. A combinação de instabilidade geopolítica, juros persistentemente altos, inflação e falhas na governança corporativa está elevando o risco de rebaixamento (downgrade) de rating, mesmo para empresas com fundamentos operacionais e financeiros considerados estáveis. Saverio Minervini, responsável pelos ratings corporativos da América Latina na Fitch Ratings, explica que a dificuldade em refinanciar dívidas em um mercado com custo de capital elevado é um dos principais fatores de preocupação.
Governança Corporativa em Evidência
A governança corporativa emerge como um ponto crítico na análise da Fitch. Minervini ressalta que deficiências nessa área, como estruturas pouco transparentes ou acionistas excessivamente dominantes, podem levar a penalidades significativas nos ratings das empresas. Investidores internacionais estão cada vez mais seletivos, e companhias com estruturas frágeis ou dependentes de refinanciamento tornam-se mais vulneráveis a choques de câmbio, juros ou inflação.
Estratégias Defensivas para um Cenário Incerto
Diante da volatilidade, as empresas brasileiras têm adotado estratégias defensivas. O alongamento de dívidas por prazos superiores a dois anos e a preservação de liquidez são prioridades para ‘comprar tempo’ e aguardar um cenário mais previsível. A Fitch monitora cerca de 800 empresas na América Latina, sendo 450 delas no Brasil, e projeta uma avaliação negativa para a região em 2026, influenciada por eleições importantes e tensões geopolíticas globais. A alta do preço do petróleo, embora possa beneficiar setores como o de energia, adiciona pressão sobre empresas sensíveis aos juros.
Perspectivas para o Brasil e o Mercado Corporativo
A agência de classificação de risco manteve o rating de crédito do Brasil em ‘BB’, com perspectiva estável, mas ressalta que uma melhora futura depende da apresentação de um plano fiscal crível. Minervini aponta que, embora a nota soberana não altere diretamente os ratings nacionais, ela influencia os ratings internacionais das empresas, muitas vezes limitando seu avanço devido ao ‘country ceiling’. Em um ambiente de juros altos e incertezas globais, o recado da Fitch para as empresas brasileiras é manter a disciplina financeira e proteger seus balanços até que a visibilidade econômica aumente.
Fonte: neofeed.com.br

