quinta-feira, março 12, 2026
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Raízen Entra com Recuperação Extrajudicial de R$ 65 Bilhões em Meio a Impasse entre Cosan e Shell

Ponto Crítico Alcançado: Raízen Busca Alívio nas Dívidas

A Raízen, gigante do setor de energia e biocombustíveis, anunciou um movimento drástico ao protocolar um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar um montante colossal de R$ 65 bilhões em dívidas. O pedido, registrado no Tribunal de Justiça de São Paulo, sinaliza um “ponto de inflexão” para a companhia, que enfrenta uma pressão financeira “relevante de juros e amortização”, com projeções de desembolso de cerca de R$ 13 bilhões nos próximos dois anos apenas para a dívida bancária.

Este movimento, o maior de sua natureza na história corporativa brasileira, não pegou o mercado de surpresa. Analistas e gestores veem a decisão como o ápice das divergências entre os acionistas majoritários, Cosan e Shell, sobre como resgatar a joint venture, que acumulou dívidas significativas após uma série de investimentos ambiciosos.

Divergências entre Sócios Escancaram a Crise

As tensões entre Cosan e Shell vieram à tona com a recusa da Shell em aderir a uma proposta de capitalização de R$ 10 bilhões, apresentada pela Cosan e outros investidores, que envolvia a divisão da Raízen em duas empresas. A Shell propôs, em contrapartida, um aporte unilateral de R$ 3,5 bilhões, com a Aguassanta (family office de Rubens Ometto, da Cosan) contribuindo com R$ 500 milhões. Contudo, credores estimam que um aporte de até R$ 25 bilhões seria necessário para a salvação da empresa.

A proposta inicial da Cosan e parceiros previa a separação da área de açúcar e etanol da de ativos de distribuição (postos de combustíveis), uma divisão que não obteve o aval da Shell. Essa discordância sobre a estratégia de reestruturação expõe a dificuldade em encontrar um consenso para sanear as finanças da Raízen.

Investimentos em E2G e Perda de Foco: As Raízes do Endividamento

Desde seu IPO em 2021, a Raízen investiu aproximadamente R$ 46,8 bilhões, com uma parcela substancial direcionada à produção de etanol de segunda geração (E2G). A aposta era que o E2G, por ser um biocombustível com menor emissão de carbono, seria precificado com um prêmio. No entanto, a realidade do mercado, com preços competitivos da gasolina, não validou essa expectativa, resultando em retornos abaixo do esperado.

Críticos apontam também a perda de foco da companhia em iniciativas que não trouxeram resultados positivos, como a rede de lojas de conveniência Oxxo, em parceria com a Femsa. A necessidade de reduzir a alavancagem financeira, que atualmente está em 5 vezes, para algo entre 2,0 e 2,5 vezes, é vista como crucial para a sustentabilidade da empresa.

Caminhos para a Recuperação: Desinvestimentos e o Desafio do Acordo

Em meio à crise, a Raízen já iniciou um processo de desinvestimentos, incluindo a venda de usinas, ativos de energia e o encerramento da parceria na Oxxo. A venda de suas operações na Argentina, com potencial de levantar US$ 1 bilhão, é um dos processos mais aguardados. A companhia sinalizou, em fevereiro, que espera que a reestruturação financeira e a venda de ativos cortem a alavancagem.

Com o pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen busca evitar o bloqueio de R$ 8,3 bilhões em depósitos. Embora a empresa já tenha assegurado o apoio de credores que representam 47% do total a ser renegociado, a aprovação formal requer 50% mais um. O grande desafio agora reside em negociar os detalhes cruciais para um acordo: prazos, condições de pagamento e, principalmente, o tamanho do “haircut” (desconto) a ser aplicado às dívidas. A parte mais difícil, como apontam analistas, é “colocar todos na mesa e conseguir um acordo”.

Fonte: neofeed.com.br

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