Desaceleração Geral e Ascensão Regional
O mercado de atacarejo no Brasil experimentou uma notável desaceleração em 2025, com uma queda de 31% no número de inaugurações líquidas de lojas em comparação com o ano anterior. Um relatório abrangente do Itaú BBA, que mapeou 2.237 lojas de 138 players, indica que este cenário abriu espaço para que grandes redes regionais assumissem um papel de maior protagonismo. Enquanto gigantes como Atacadão e Assaí optaram por frear suas expansões – priorizando a redução de alavancagem –, empresas como Grupo Pereira, Koch, Muffato e Atakarejo mantiveram ou até aceleraram seus planos de crescimento.
Foco em Cidades Menores e Regiões Estratégicas
As novas lojas de atacarejo em 2025 concentraram-se significativamente em duas frentes: cidades com menos de 100 mil habitantes e as regiões Nordeste e Sul. Essas áreas foram responsáveis por 63% de todas as novas inaugurações. As cidades menores, em particular, voltaram a ser um foco importante, representando 36% das novas aberturas. Essa tendência é vista como uma mudança estrutural, impulsionada pela saturação dos grandes centros urbanos e pela busca por novas fronteiras de crescimento, onde os players regionais demonstram maior agilidade.
Consolidação e Cenários Competitivos
O relatório do Itaú BBA também aponta para uma consolidação crescente no setor, com a participação das 25 maiores redes alcançando 77% do mercado. As redes regionais, ao consolidarem sua liderança em seus estados de origem, têm sido os principais motores dessa expansão. No que diz respeito à concorrência, o Assaí é apontado como o player mais exposto, especialmente em mercados maduros como São Paulo. No entanto, o banco de investimentos ressalta que o número de fechamentos de lojas rivais na vizinhança do Assaí tem diminuído, sugerindo um cenário competitivo marginalmente menos adverso. Por outro lado, o Grupo Mateus, com forte presença no Nordeste, beneficia-se de uma competição considerada mais moderada, em parte devido ao seu foco em cidades menores e à diversificação geográfica.
Perspectivas Futuras e Maturidade do Formato
A desaceleração nas aberturas líquidas, que caiu para cerca de 10 por mês em 2025, é interpretada pelo Itaú BBA como um sinal de que o formato de atacarejo está entrando em uma fase mais madura. A expectativa é de um mercado com crescimento endereçável total mais moderado, onde a intensidade da concorrência ditará cada vez mais o retorno sobre o capital investido. Essa nova dinâmica favorece a estratégia de consolidação em mercados regionais e a busca por eficiência operacional, afastando-se do ritmo acelerado de expansão nacional visto em anos anteriores.
Fonte: neofeed.com.br




