Sarampo em Centro de Detenção nos EUA Acende Alerta para as Américas
Autoridades do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos confirmaram a quarentena de imigrantes detidos no maior centro de famílias do país, localizado em Dilley, Texas, após a detecção de dois casos de sarampo. A instalação, descrita como “superlotada”, tornou-se um ponto de atenção, especialmente considerando o aumento de notificações da doença nos EUA. Até o final de janeiro de 2026, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) registraram oito surtos e cerca de 171 casos este ano, um número que já supera os 2.242 casos de 2025.
OPAS Emite Alerta Global para o Crescimento Exponencial de Casos de Sarampo nas Américas
A Organização Pan-americana da Saúde (OPAS/OMS) emitiu um alerta para todo o continente americano devido a um aumento drástico nos casos de sarampo. Em 2025, foram confirmados 14.891 casos, um salto de 32 vezes em comparação com 2024. As primeiras semanas de 2026 já contabilizam 1.031 casos, 45 vezes mais que no mesmo período do ano anterior. O ano de 2025 registrou o maior número de casos desde 2019, sendo que 78% das infecções ocorreram em pessoas não vacinadas.
México e EUA Lideram Novos Casos; Brasil Mantém Vigilância Constante
Atualmente, sete países das Américas reportaram casos de sarampo em 2026, com destaque para México (740 casos) e Estados Unidos (171). O Brasil, embora considerado livre de sarampo desde 2022, não está imune a casos importados. Em 2025, foram registrados 38 casos trazidos do exterior. A preocupação é a reintrodução do vírus e sua disseminação em território nacional, o que reforça a necessidade de vigilância constante e alta cobertura vacinal. “O risco é constante. Com tantos casos de sarampo ao nosso redor, pessoas com sarampo, sem dúvidas, entrarão no nosso país semanalmente ou diariamente”, afirma Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).
Cobertura Vacinal Insuficiente é Principal Vilã do Ressurgimento do Sarampo
A OPAS aponta a baixa adesão à vacinação como a principal causa do aumento de casos nas Américas, especialmente nos Estados Unidos, México e Canadá. O sarampo, por ser a infecção viral de mais fácil transmissão, é o primeiro a manifestar-se quando a cobertura vacinal cai. Apenas 33% dos países americanos atingiram a meta de 95% de cobertura com a primeira dose, e somente 20% alcançaram a meta para a segunda dose. No Brasil, a cobertura da tríplice viral em 2025 foi de 94,02% para a primeira dose, mas caiu para 78,99% na segunda. A OPAS recomenda que os países reforcem urgentemente a vigilância e a vacinação de rotina para conter a doença, que é extremamente contagiosa, podendo infectar até 90% das pessoas não imunes em contato próximo com um doente.
Como se Proteger e Orientações para Viajantes
O sarampo é transmitido pelo ar, através de gotículas expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Adolescentes e jovens adultos têm concentrado a maior parte dos casos, mas bebês menores de um ano são os mais vulneráveis. No Brasil, a vacinação é gratuita pelo SUS e indicada para pessoas de 12 meses a 59 anos, com as vacinas tríplice viral e tetraviral. Para viajantes, a recomendação é vacinar-se pelo menos duas semanas antes da viagem a áreas de risco, estar atento aos sintomas e procurar atendimento médico imediato ao apresentar qualquer sinal da doença, além de evitar contato próximo com outras pessoas e usar máscara. Ao retornar, caso suspeite de infecção, é fundamental procurar um serviço de saúde e informar sobre a viagem.
Fonte: saude.abril.com.br




