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Despesas com Medicamentos em Planos de Saúde Disparam: Entenda o Crescimento e os Fatores por Trás do Aumento

Crescimento Exponencial nas Despesas com Medicamentos

As despesas com medicamentos nos planos de saúde brasileiros apresentaram um crescimento expressivo entre 2019 e 2024. Um estudo inédito do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), obtido com exclusividade, aponta um aumento acumulado de 77,4% nos planos individuais, 68,1% nos coletivos empresariais e 57,6% nos coletivos por adesão. Em 2024, o setor desembolsou R$ 10,2 bilhões em planos empresariais, R$ 4,5 bilhões em coletivos por adesão e R$ 5,7 bilhões em planos individuais e familiares.

Planos Individuais Concentram Maiores Despesas

Apesar de representarem 16,8% dos beneficiários em 2024, os planos individuais são responsáveis por 28% das despesas com medicamentos. José Cechin, superintendente executivo do IESS, explica que essa concentração se deve a uma maior incidência de patologias e à presença de um público mais idoso nessas carteiras. No período analisado, os planos individuais registraram uma redução de 3,7% no número de beneficiários, mas um aumento na participação de pessoas com 59 anos ou mais, que já somam 31,6% da carteira. Em contraste, os planos empresariais cresceram 17,8% em beneficiários, com a maioria na faixa etária de 19 a 43 anos.

Tecnologia e Envelhecimento: Os Motores do Aumento

O IESS associa o aumento das despesas com medicamentos ao ritmo acelerado de incorporação de novas tecnologias e a mudanças na legislação em 2022, que agilizaram a análise de novos tratamentos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Dados da própria ANS indicam que a despesa com medicamentos saltou de 7,3% para 10,2% dos custos assistenciais dos planos de saúde entre 2019 e 2024, totalizando R$ 22,31 bilhões no ano passado. Cechin ressalta que a solução para conter esses custos passa por uma abordagem multifacetada, incluindo promoção da saúde, negociações mais eficientes, redução de perdas e desperdícios.

Diferenças Regionais e a Busca por Eficiência

O estudo também detalha o aumento per capita das despesas com medicamentos por tipo de operadora. As autogestões viram o custo por beneficiário subir de R$ 593 para R$ 1.276 entre 2019 e 2024. As operadoras verticalizadas (medicina de grupo) passaram de R$ 98 para R$ 194, e as seguradoras de R$ 233 para R$ 280. O envelhecimento da população e a utilização de tratamentos para doenças complexas, como oncologia, explicam parte dessa disparidade. Embora seguradoras e cooperativas médicas concentrem os maiores volumes absolutos, autogestões e medicina de grupo foram as modalidades com maior crescimento proporcional nas despesas. A negociação de contratos e o poder de compra das operadoras também influenciam esses custos, com empresas maiores obtendo melhores condições com fornecedores e prestadores de serviços.

Inovação Farmacêutica: Solução ou Custo?

A rápida incorporação de novos medicamentos no rol de cobertura da ANS, que agora tem prazos mais curtos para análise, é vista por alguns como um fator de pressão nos custos. Marcos Laredo, da KPMG, aponta que novas terapias contínuas, como imunobiológicos, geram um impacto financeiro recorrente e sensível. Contudo, a Interfarma, associação que representa a indústria farmacêutica, defende que medicamentos inovadores aprimoram a eficiência do sistema, reduzem complicações, cirurgias e internações, evitando desperdício de recursos. A associação argumenta que o debate deve ser equilibrado, considerando o medicamento como parte da solução para um sistema de saúde mais eficaz e sustentável, e não como o vilão dos custos, mesmo com as operadoras apresentando lucros líquidos expressivos e sinistralidade em queda.

Fonte: futurodasaude.com.br

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