O mito dos carboidratos noturnos
A crença de que consumir carboidratos no jantar leva ao ganho de peso e a problemas como o pré-diabetes é amplamente difundida. No entanto, pesquisas recentes apontam que o horário da ingestão desses nutrientes não é o fator determinante. A nutricionista Letícia Ramalho, doutora em Cronobiologia e Sono, destaca que “as evidências mais fortes até o momento mostram que tanto a qualidade quanto a quantidade da alimentação, independentemente do horário, é que impactam na regulação da glicose”.
Estudo reforça a importância do equilíbrio alimentar
Um estudo publicado em 2025 no periódico Nutrients, realizado pela Universidade Aberta da Catalunha em parceria com instituições dos Estados Unidos, analisou 33 adultos com diabetes e pré-diabetes. Utilizando monitores contínuos de glicose, a pesquisa observou que, além de um cardápio equilibrado na última refeição do dia, a sensibilidade à insulina de cada indivíduo é um fator crucial.
Entendendo a resistência à insulina e o pré-diabetes
A endocrinologista Cláudia Schimidt explica que a resistência à insulina ocorre quando este hormônio, responsável por permitir a entrada de glicose nas células para gerar energia, não funciona de maneira eficaz. O pâncreas tenta compensar produzindo mais insulina, mas, com o tempo, o organismo pode perder a capacidade de controlar o açúcar no sangue, aumentando o risco de diabetes tipo 2. O pré-diabetes é o estágio inicial desse distúrbio, caracterizado por níveis alterados de glicose. O diagnóstico é feito por exames como a glicemia de jejum (entre 100 e 125 mg/dl) e a hemoglobina glicada (entre 5,7% e 6,4%).
Revertendo o pré-diabetes com hábitos saudáveis
Quando detectado precocemente, o pré-diabetes pode ser revertido com mudanças no estilo de vida. Combater o acúmulo de gordura abdominal, praticar atividade física regularmente e adotar uma dieta rica em fibras são essenciais. A nutricionista Ramalho recomenda priorizar carboidratos complexos e ricos em fibras, como grãos integrais (trigo, aveia, arroz integral), tubérculos (batata, inhame, mandioca) e leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico). Esses alimentos, além de auxiliarem no trânsito intestinal, contribuem para o equilíbrio glicêmico. É fundamental, contudo, evitar excessos, pois a quantidade também impacta diretamente na saúde.
Fonte: saude.abril.com.br




