Novo Capítulo na Renegociação de Dívidas
A Aeris Energy, fabricante de pás eólicas, iniciou um novo e delicado processo de renegociação de sua dívida com credores. Na última quinta-feira, 20 de agosto, a companhia comunicou aos detentores de debêntures o acionamento de um protocolo de tutela cautelar antecedente. Este mecanismo jurídico oferece um escudo temporário, protegendo a empresa durante as negociações antes de uma eventual solicitação formal de recuperação judicial ou extrajudicial, que geralmente ocorre em até 30 dias.
Desafios Financeiros Persistem Apesar de Repactuações Anteriores
A situação financeira da Aeris segue sob pressão. A empresa possui duas emissões de debêntures em mercado, AERI11 e AERI12, com um saldo consolidado superior a R$ 1 bilhão ao final de 2024. Embora em março de 2025 a Aeris tenha conseguido repactuar cerca de 90% de uma dívida total de R$ 1,7 bilhão, incluindo instituições como Santander, BB, BV e BNDES, os indicadores da companhia não apresentaram a recuperação esperada. A dívida líquida atingiu R$ 1,94 bilhão, contrastando com uma caixa de apenas R$ 17,3 milhões ao final do segundo trimestre de 2026. Nesse período, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 152 milhões, um agravamento em relação aos R$ 138 milhões do trimestre anterior. O Ebitda ajustado, apesar de uma melhora sequencial, permanece negativo.
Mercado Precifica o Risco com Forte Deságio nas Debêntures
O mercado de crédito privado já vinha demonstrando sua percepção de risco em relação à Aeris. Desde o início de dezembro de 2024, a Anbima suspendeu o cálculo da taxa indicativa para as debêntures da empresa. Em junho e julho de 2026, os papéis AERI11 e AERI12 foram negociados no mercado secundário com um deságio expressivo, superando 85% do valor de curva, segundo dados da B3 e da Oliveira Trust, agente fiduciário das emissões. Essa desvalorização reflete a incerteza sobre a capacidade da empresa em honrar seus compromissos financeiros.
Negociações de Venda de Participação Não Avançaram
Em dezembro de 2024, a Aeris já havia divulgado, em resposta a questionamentos da CVM, que seus controladores haviam sido procurados pela chinesa Sinoma Blade, fabricante de pás eólicas, para uma potencial venda de participação acionária. No entanto, até o momento, essas negociações não evoluíram.
Fonte: neofeed.com.br

