O perigo da adoção superficial da inteligência artificial
Bret Taylor, chairman da OpenAI, emitiu um alerta contundente sobre a forma como muitas empresas estão, ou pretendem, adotar a inteligência artificial (IA). Segundo ele, existe uma forte tendência ao que ele chama de “turismo de IA”, onde a busca por parecer inovador supera o desejo de gerar impacto real nos negócios. Taylor compara o potencial transformador da IA com o que a internet representou nos anos 90, prometendo melhorias na experiência do consumidor e um salto na produtividade, mas ressalta que a superficialidade pode minar esses benefícios.
Definindo objetivos e aplicando a IA em processos completos
Um dos pontos centrais da argumentação de Taylor é a necessidade de as empresas definirem metas claras antes de implementar qualquer iniciativa de IA. Ele critica a prática de simplesmente distribuir ferramentas como o ChatGPT para todos os funcionários, considerando-a um passo inicial, mas insuficiente para uma transformação genuína. Taylor enfatiza que a IA deve ser aplicada a processos inteiros, que frequentemente abrangem diversas áreas de uma companhia, e não de forma isolada em departamentos específicos. “Meu argumento é que isso definitivamente não vai acontecer”, afirmou, referindo-se à expectativa de transformação a partir de iniciativas departamentais.
Métricas de impacto e a busca por resultados reais
O chairman da OpenAI defende veementemente a adoção de métricas que demonstrem o impacto efetivo da tecnologia, criticando o “token maxing” – a prática de maximizar o uso de tokens de IA e tratar esse consumo como um indicador de produtividade. Para Taylor, a verdadeira medida de sucesso da IA reside nos resultados de negócio. Ele sugere que a liderança deve ter uma visão de cima para baixo, identificando os processos e métricas de negócio que se deseja transformar.
IA como motor de receita e expansão de mercado
Mais do que focar na redução de custos, Taylor aponta a expansão da receita e do market share como a principal oportunidade oferecida pela IA. Ele prevê que, no futuro, o legado dos agentes de IA estará mais associado à geração de receita, atuando como “concierges digitais” para acompanhar clientes em funis de conversão e reduzir desistências. Embora os ganhos de eficiência sejam importantes, Taylor ressalta que eles tendem a ser compartilhados com a concorrência ou reinvestidos em aquisição de clientes, tornando a busca por eficiência uma necessidade competitiva.
Remuneração baseada em resultados e a evolução do mercado de IA
Taylor também discute a evolução do mercado de IA, comparando-o à forma como os bancos de dados e outras infraestruturas tecnológicas se desenvolveram, com modelos diversos para aplicações específicas. Ele acredita que essa tendência mudará a forma como as empresas contratam serviços de IA. Sua proposta é que, sempre que o resultado de um agente de IA for mensurável, a remuneração deveria ser vinculada a esse resultado, de maneira similar à comissão de vendedores. “Se você consegue medir o resultado, deveria pagar por comissão”, concluiu.
Fonte: neofeed.com.br

