domingo, agosto 16, 2026
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Robbie Williams revela diagnóstico de autismo aos 52 anos e explica comorbidade com TDAH

Diagnóstico Tardio: Uma Nova Perspectiva aos 52 Anos

Aos 52 anos, o renomado cantor Robbie Williams revelou ter recebido o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Sua declaração, feita em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, reacende o debate sobre o diagnóstico de autismo em adultos e a percepção de que essa condição só se manifesta na infância. O médico neurologista Matheus Trilico, referência em TEA e TDAH em adultos no Brasil, esclarece que um diagnóstico tardio não significa o surgimento da condição na idade adulta.

A Frequente Comorbidade entre TEA e TDAH

O fato de Robbie Williams ter sido diagnosticado com TDAH, além do TEA, não é uma coincidência, segundo o Dr. Trilico. Pesquisas recentes indicam uma alta prevalência de TDAH em indivíduos com autismo. Um estudo publicado em 2021, que analisou 63 pesquisas, constatou que 38,5% dos indivíduos com autismo apresentavam TDAH no momento do estudo, e essa taxa chegava a 40,2% ao longo da vida. Outra pesquisa de 2025, com mais de 3,5 milhões de adultos, revelou que 27% dos adultos autistas sem deficiência intelectual também tinham TDAH, um índice dez vezes maior que na população geral.

Desafios da Comorbidade e o Sintoma do Hiperfoco

Dr. Trilico explica que a comorbidade entre TEA e TDAH pode complicar o quadro clínico. Enquanto o TDAH se manifesta com desregulação atencional e dificuldades executivas, o TEA apresenta desafios na comunicação social e padrões de comportamento restritos. Robbie Williams descreveu o hiperfoco, um sintoma comum do TDAH, como a capacidade de se concentrar intensamente em algo específico, mas ter dificuldades com todo o resto. Essa aparente contradição entre dificuldade de atenção e concentração intensa é uma das características mais mal compreendidas do TDAH.

Diagnóstico em Adultos: Ferramenta para o Bem-Estar

O neurologista enfatiza que o diagnóstico de transtornos como TEA e TDAH em adultos não deve ser encarado como uma sentença. O objetivo principal é identificar áreas de sofrimento ou prejuízo para oferecer estratégias que melhorem o funcionamento, a autonomia e a qualidade de vida do indivíduo. “As peças se encaixam quando você entende como seu cérebro e mente funcionam”, conclui o Dr. Trilico, reforçando que o autoconhecimento proporcionado pelo diagnóstico pode ser um passo fundamental para o bem-estar.

Fonte: viva.com.br

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