A Arte de Não Desperdiçar Crises
Luis Justo, que em breve deixará o posto de CEO do Rock in Rio para se dedicar a conselhos, mentorias e investimentos, compartilha uma filosofia valiosa: “Crise não se desperdiça”. Segundo ele, em entrevista ao programa Bravamente, apresentado por Carlos Burle, o papel da liderança não é prever todas as eventualidades, mas sim preparar a empresa para responder com agilidade quando os planos originais se tornam obsoletos. A adversidade, em vez de ser um obstáculo intransponível, pode ser um catalisador para a inovação e o crescimento.
Da Cinza à Coleção Fênix: A Osklen e a Resiliência Criativa
A capacidade de transformar pressão em oportunidade foi testada na prática por Justo durante sua passagem pela Osklen. Um incêndio devastador destruiu uma parte significativa da sede da empresa, incluindo acervos e coleções em desenvolvimento. Em vez de sucumbir à perda, a marca deu origem à coleção Fênix, que se tornou um marco de sucesso. Mais do que isso, a emergência forçou a Osklen a repensar seus processos produtivos, reduzindo o tempo de desenvolvimento de uma coleção de um ano para seis meses. Essa reinvenção, impulsionada pela urgência, provavelmente não teria ocorrido em tempos de normalidade.
Rock in Rio e a Pandemia: Dobrando o Tamanho em Meio ao Caos
Anos depois, Justo enfrentou um desafio de proporções globais ao liderar o Rock in Rio durante a pandemia de COVID-19. Com eventos suspensos e a receita zerada, o executivo manteve a equipe focada em uma projeção ousada: sair da crise com o dobro do tamanho. Essa visão estratégica não apenas manteve o time unido e motivado, mas também serviu como bússola para a busca de novas soluções. Foi nesse período de incerteza que nasceu o The Town, um novo festival que se consolidou como um sucesso, demonstrando que a empresa conseguiu, de fato, expandir-se mesmo no cenário mais adverso.
A Transição de CEO: Uma Função, Não uma Identidade
Após duas décadas à frente de grandes empresas, Luis Justo agora se prepara para uma nova fase, aplicando sua vasta experiência em novas frentes. Ele enfatiza a importância de desvincular a identidade pessoal do cargo ocupado. Para Justo, ser CEO é uma função, um papel desempenhado, e não a totalidade de quem um indivíduo é. Essa perspectiva abre espaço para novas contribuições e para o compartilhamento de aprendizados valiosos em diferentes contextos empresariais.
Fonte: neofeed.com.br

