quinta-feira, agosto 6, 2026
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Incontinência Urinária Afeta 60% das Mulheres Acima de 40 Anos no Brasil; Vergonha e Desconhecimento são Barreiras para o Tratamento

Pesquisa inédita expõe a alta prevalência da incontinência urinária em mulheres brasileiras com mais de 40 anos, destacando a necessidade urgente de quebrar o tabu em torno do tema.

Um levantamento nacional aponta que 60% das mulheres com 40 anos ou mais no Brasil sofrem com algum tipo de incontinência urinária. A pesquisa, que ouviu 1.500 mulheres das classes A, B e C em todas as regiões do país, revela que a vergonha e a falta de conhecimento sobre o assunto ainda são os principais obstáculos para que essas mulheres busquem ajuda e tratamento adequados. O estudo faz parte da campanha “Escape do Tabu”, promovida pela Apsen, e conta com a embaixadora Helô Pinheiro.

Rotina e Bem-Estar Comprometidos pela Incontinência Urinária

O escape de urina não afeta apenas a saúde física, mas também interfere significativamente na rotina e no bem-estar das mulheres. De acordo com o estudo, 5 em cada 10 mulheres relataram ter alterado hábitos ou enfrentado dificuldades diárias devido ao medo da incontinência. Essas adaptações incluem:

  • Evitar sair de casa ou realizar atividades sociais.
  • Restringir o consumo de líquidos.
  • Usar absorventes discretos em excesso.
  • Priorizar o uso de roupas escuras.

Especialistas enfatizam que a perda involuntária de urina não deve ser vista como algo normal ou inevitável com o envelhecimento. “As pessoas associam esse problema a algo que deve ser comum no envelhecimento, mas não é. Ela pode acontecer, mas há tratamento e não deve ser algo que a mulher deve levar para o resto da vida”, alerta uma especialista.

Saúde Mental e o Peso do Silêncio

As consequências da incontinência urinária ultrapassam o aspecto físico, impactando diretamente a saúde mental. Entre as mulheres com incontinência urinária mista, 29% relatam o aumento de quadros de ansiedade, estresse, vergonha ou tristeza. O silêncio em torno do problema é um fator agravante: 33% das mulheres com escape de urina admitem ter escondido ou evitado falar sobre o assunto com pessoas próximas.

A dificuldade em abordar o tema se estende ao ambiente de cuidado em saúde. A pesquisa aponta que 64% das mulheres sentem receio em discutir o problema, e a falta de iniciativa dos profissionais de saúde agrava a situação. Cerca de 54% das entrevistadas afirmam que nenhum ginecologista, clínico geral ou outro especialista perguntou sobre escapes de urina durante as consultas.

A psiquiatra Carmita Abdo destaca que a privação do sono, muitas vezes causada pela incontinência, pode agravar quadros de depressão. “Fomos ensinadas a não falar sobre e a esconder problemas relacionados aos nossos órgãos genitais e trato urinário. Isso chega até um ponto em que a mulher para de sair de casa e de fazer sexo, por exemplo”, alerta Abdo.

Tratamentos Acessíveis e Personalizados

A boa notícia é que a incontinência urinária possui tratamento. As opções terapêuticas variam de acordo com a causa, o diagnóstico médico e a condição individual da paciente. As abordagens incluem mudanças no estilo de vida, fisioterapia pélvica, medicamentos, aplicações de toxina botulínica e até procedimentos cirúrgicos, como o implante de sling. É fundamental que o acompanhamento seja feito por profissionais de saúde habilitados para garantir o diagnóstico correto e o plano de tratamento mais eficaz.

Fonte: viva.com.br

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