Pesquisa inédita expõe a alta prevalência da incontinência urinária em mulheres brasileiras com mais de 40 anos, destacando a necessidade urgente de quebrar o tabu em torno do tema.
Um levantamento nacional aponta que 60% das mulheres com 40 anos ou mais no Brasil sofrem com algum tipo de incontinência urinária. A pesquisa, que ouviu 1.500 mulheres das classes A, B e C em todas as regiões do país, revela que a vergonha e a falta de conhecimento sobre o assunto ainda são os principais obstáculos para que essas mulheres busquem ajuda e tratamento adequados. O estudo faz parte da campanha “Escape do Tabu”, promovida pela Apsen, e conta com a embaixadora Helô Pinheiro.
Rotina e Bem-Estar Comprometidos pela Incontinência Urinária
O escape de urina não afeta apenas a saúde física, mas também interfere significativamente na rotina e no bem-estar das mulheres. De acordo com o estudo, 5 em cada 10 mulheres relataram ter alterado hábitos ou enfrentado dificuldades diárias devido ao medo da incontinência. Essas adaptações incluem:
- Evitar sair de casa ou realizar atividades sociais.
- Restringir o consumo de líquidos.
- Usar absorventes discretos em excesso.
- Priorizar o uso de roupas escuras.
Especialistas enfatizam que a perda involuntária de urina não deve ser vista como algo normal ou inevitável com o envelhecimento. “As pessoas associam esse problema a algo que deve ser comum no envelhecimento, mas não é. Ela pode acontecer, mas há tratamento e não deve ser algo que a mulher deve levar para o resto da vida”, alerta uma especialista.
Saúde Mental e o Peso do Silêncio
As consequências da incontinência urinária ultrapassam o aspecto físico, impactando diretamente a saúde mental. Entre as mulheres com incontinência urinária mista, 29% relatam o aumento de quadros de ansiedade, estresse, vergonha ou tristeza. O silêncio em torno do problema é um fator agravante: 33% das mulheres com escape de urina admitem ter escondido ou evitado falar sobre o assunto com pessoas próximas.
A dificuldade em abordar o tema se estende ao ambiente de cuidado em saúde. A pesquisa aponta que 64% das mulheres sentem receio em discutir o problema, e a falta de iniciativa dos profissionais de saúde agrava a situação. Cerca de 54% das entrevistadas afirmam que nenhum ginecologista, clínico geral ou outro especialista perguntou sobre escapes de urina durante as consultas.
A psiquiatra Carmita Abdo destaca que a privação do sono, muitas vezes causada pela incontinência, pode agravar quadros de depressão. “Fomos ensinadas a não falar sobre e a esconder problemas relacionados aos nossos órgãos genitais e trato urinário. Isso chega até um ponto em que a mulher para de sair de casa e de fazer sexo, por exemplo”, alerta Abdo.
Tratamentos Acessíveis e Personalizados
A boa notícia é que a incontinência urinária possui tratamento. As opções terapêuticas variam de acordo com a causa, o diagnóstico médico e a condição individual da paciente. As abordagens incluem mudanças no estilo de vida, fisioterapia pélvica, medicamentos, aplicações de toxina botulínica e até procedimentos cirúrgicos, como o implante de sling. É fundamental que o acompanhamento seja feito por profissionais de saúde habilitados para garantir o diagnóstico correto e o plano de tratamento mais eficaz.
Fonte: viva.com.br

