Gastos Elevados com Extinção
A Espanha enfrenta um cenário alarmante com a intensificação dos incêndios florestais. Dados recentes, compilados a partir de relatórios da Greenpeace e da Associação Nacional de Empresas Florestais (Asemfo), indicam que os custos para combater as chamas em 2026 já se aproximam de metade da área total devastada no ano anterior. As despesas com a extinção dos incêndios no ano passado variaram entre 3.548 e 6.741 milhões de euros, segundo estimativas que consideram o custo por hectare, sem incluir a recuperação das áreas afetadas. Para o ano corrente, com 172.396 hectares já consumidos pelo fogo, a fatura de combate pode atingir entre 1.723 e 3.275 milhões de euros.
Impacto Econômico e Turístico
Os incêndios florestais representam um duro golpe para a economia espanhola, afetando diretamente setores cruciais como o turismo e a agricultura. Um estudo de 2023 aponta que regiões do sul da Europa atingidas por grandes incêndios veem seu crescimento anual do PIB diminuir significativamente. O impacto no turismo é sentido no transporte, hospedagem e restauração, com projeções de perda de milhares de empregos por temporada. Em resposta, o Ministério do Trabalho espanhol implementou um pacote de medidas para amparar trabalhadores impossibilitados de exercer suas funções devido aos incêndios.
Crise na Agricultura e Pecuária
O setor agrícola também sofre perdas substanciais. A suspensão de operações de colheita que exigem maquinário pesado em regiões como a Comunidade de Madrid, Ávila e Toledo demonstra a gravidade da situação. Milhares de cabeças de gado foram afetadas, morrendo ou ficando isoladas sem acesso a água e alimento. Em resposta, a Comunidade de Madrid anunciou apoio financeiro para as explorações pecuárias atingidas pelos incêndios.
A Urgência da Prevenção
Especialistas e representantes do setor florestal, como Miguel Ángel Duralde, presidente da Asemfo, ressaltam a necessidade de um maior investimento em prevenção. A análise sugere que uma parte considerável dos fundos públicos é direcionada à extinção, em detrimento de ações preventivas. Duralde defende que investir em prevenção pode gerar uma economia de até cem euros em combate para cada euro aplicado em medidas de controle e manejo florestal. A proposta é direcionar cerca de 3.000 milhões de euros anuais para gestão florestal, visando a recuperação da paisagem, da biodiversidade e a redução drástica da incidência e severidade dos incêndios.
Fonte: pt.euronews.com

