terça-feira, julho 28, 2026
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Netos Criam Associação de Cannabis Medicinal Para Ajudar Avós com Alzheimer e Outras Doenças

Origem Familiar e Busca por Alternativas

A Angatu, associação dedicada à cannabis medicinal, nasceu de uma necessidade pessoal e familiar: o diagnóstico de Alzheimer em ambos os avós dos fundadores, Lucas e Mateus Candini. A rápida progressão da doença e os altos custos dos tratamentos convencionais disponíveis em farmácias levaram a família a buscar alternativas. Foi nesse processo que descobriram o movimento de associações de pacientes de cannabis medicinal, que serviu de inspiração para a criação da Angatu.

Superando Preconceitos e Demandas por Informação

O contato com a doença e a busca por tratamentos expuseram os fundadores ao preconceito em torno da cannabis medicinal, inclusive entre profissionais de saúde. Paralelamente, perceberam uma demanda crescente não apenas por produtos à base de cannabis, mas também por informações confiáveis sobre seu uso. Atualmente, a Angatu atua na orientação de pacientes, conecta famílias a profissionais de saúde e oferece suporte jurídico, priorizando o acesso dentro das normas vigentes. A maioria dos associados tem mais de 50 anos, buscando alternativas terapêuticas para doenças neurodegenerativas e outras condições ligadas ao envelhecimento.

Benefícios Observados e Evidências Científicas

Apesar de ressaltarem que a cannabis medicinal não reverte o Alzheimer, os fundadores da Angatu relatam a observação de melhoras significativas em sintomas que comprometiam a qualidade de vida dos avós. Lucas Candini descreve a redução da agitação intensa e a normalização do sono em uma das avós, além da diminuição de episódios de agressividade no avô. Essas melhorias permitiram a suspensão de medicamentos tradicionais para controle de humor e sono, como quetiapina e aripiprazol. Um caso notável foi a recuperação de uma avó após um aneurisma, que, com o tratamento e reabilitação, voltou a recuperar funções de fala e locomoção. Estudos atuais indicam o potencial da cannabis medicinal como estratégia complementar no manejo de sintomas de Alzheimer, como agitação, ansiedade e distúrbios do sono, embora não haja evidências de interrupção ou reversão da doença.

Expansão, Acesso Democrático e Desafios Jurídicos

A escolha pelo modelo associativo foi motivada pela percepção de um acesso mais democrático, barato e acessível, em contraste com as limitações e altos preços dos produtos importados e de farmácia. Mateus Candini destaca que, no terceiro setor, é possível oferecer um cuidado e acolhimento mais próximos do paciente. No entanto, apesar dos avanços regulatórios recentes, como as resoluções da Anvisa, os fundadores apontam para a insegurança jurídica que ainda paira sobre associações que cultivam cannabis para fins medicinais. Há uma necessidade contínua de avanços para garantir que o cultivo e o uso terapêutico da planta não resultem em criminalização ou perseguição.

Fonte: viva.com.br

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