Compromisso Fiscal na Reta Final
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que a agenda econômica do governo Lula alcançou sua “milha final”, com foco em dois dos maiores desafios do país: os juros elevados e o endividamento público. Durigan enfatizou a importância do compromisso fiscal como peça central para a estabilidade econômica, especialmente em um cenário internacional incerto. A declaração, feita durante o evento Expert XP, buscou reforçar a responsabilidade fiscal como pilar da gestão, uma mensagem que o governo tem enfrentado dificuldades em transmitir ao mercado financeiro.
Ajuste Estrutural e Projeções Futuras
Durigan ressaltou que o governo tem se empenhado em um ajuste fiscal estrutural desde o início, sem comprometer a recomposição de receitas. A expectativa é de um superávit primário de 0,5% para o próximo ano, o primeiro em quase uma década, e uma redução da dívida pública a partir de 2030. No entanto, a etapa mais desafiadora, a “milha final”, envolve a discussão sobre a redução de gastos obrigatórios para liberar investimentos e aumentar a eficiência do Estado. O ministro defende que este debate seja abordado após as eleições, focando na qualidade do gasto público.
Ceticismo do Mercado e a Visão do Banco Central
Apesar das declarações do governo, gestores do mercado financeiro demonstram ceticismo quanto aos esforços de ajuste fiscal, antecipando um possível aumento de gastos em um eventual quarto mandato de Lula. Paralelamente, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, apresentou uma perspectiva diferente para lidar com os juros elevados: o aumento da produtividade. Ele destacou o papel transformador de novas tecnologias, como a inteligência artificial (IA), na economia brasileira.
Inteligência Artificial como Antídoto
Galípolo vê a IA como uma ferramenta capaz de aumentar a resiliência das empresas e da economia frente à volatilidade de preços e choques externos. A tecnologia pode otimizar custos, processos e decisões de forma mais ágil, contribuindo para a capacidade de adaptação econômica. Embora a IA tenha potencial para gerar ganhos de eficiência, Galípolo ressalta que seu impacto real no crescimento adicional da economia ainda precisa ser comprovado. A “milha final”, na visão do BC, é construir uma economia mais produtiva, adaptável às mudanças tecnológicas e resiliente a choques, sem depender exclusivamente de mais arrecadação ou juros mais altos.
Fonte: neofeed.com.br

