O Telefone como Arma: A Nova Fronteira das Fraudes Financeiras
A epidemia de golpes telefônicos tem transformado o aparelho em uma poderosa ferramenta nas mãos de criminosos. Utilizando técnicas como o spoofing, que disfarça o número de origem da chamada, e a engenharia social, que explora dados pessoais vazados para criar narrativas convincentes, os golpistas têm conseguido ludibriar um número crescente de vítimas. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta a urgência em combater essa modalidade, que se aproveita de sentimentos como urgência e desespero para levar clientes a realizar transações financeiras arriscadas.
Desafio para os Bancos e a Busca por Colaboração
A segurança bancária, embora invista bilhões em tecnologia, encontra limites na infraestrutura de telecomunicações. Representantes de grandes bancos, como Itaú e Santander, enfatizam que a solução para essa crise não reside apenas no aprimoramento tecnológico interno, mas exige uma atuação coordenada com as operadoras de telecomunicações. A principal demanda é o fortalecimento dos mecanismos de identificação e bloqueio de linhas telefônicas usadas em atividades fraudulentas. No entanto, a falta de um instrumento jurídico que permita o bloqueio com base apenas no conteúdo de uma ligação ou em denúncias não verificadas dificulta a ação. Os bancos defendem a criação de mecanismos juridicamente seguros e baseados em evidências.
Tecnologia Obsoleta e a Facilidade para Criminosos
A raiz técnica do problema remonta a protocolos de telefonia criados na década de 1970, que não foram projetados com foco em segurança. Com a ascensão das ligações via internet (VoIP), criminosos ganharam ferramentas para automatizar o spoofing em larga escala e a baixo custo. Além disso, a fragilidade no processo de criação de contas pelas operadoras, que permite a abertura de linhas pré-pagas com dados vazados de terceiros, é um facilitador para a proliferação de golpes e contas laranjas que recebem o dinheiro desviado.
Anatel e o Caminho para a Segurança das Chamadas
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reconhece os desafios e tem implementado o programa Origem Verificada, que busca a adoção de protocolos de autenticação de chamadas, similar ao que já ocorre nos Estados Unidos e Europa. Embora o programa esteja em andamento, com um prazo final de adaptação para as operadoras até 2028, a Anatel também trabalha em regras mais rígidas para a venda de novas linhas (onboarding), exigindo maior rigor na confirmação da identidade dos consumidores. A entidade ressalta que o setor bancário investirá R$ 50 bilhões em tecnologia e segurança este ano, com uma parcela significativa destinada à prevenção de fraudes, e integra a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais em busca de ações preventivas conjuntas.
Fonte: viva.com.br

