Avanços Regulatórios e Novos Horizontes
O Brasil tem demonstrado um progresso notável no cenário da pesquisa clínica, alçando a 12ª posição mundial em estudos iniciados. Um relatório da Interfarma aponta que o país já representa 2,9% dos estudos globais. Esse avanço é fruto de um esforço contínuo para aprimorar o marco regulatório e atrair mais ensaios, mas o caminho para a consolidação ainda exige a superação de obstáculos significativos.
Gargalos na Aprovação e a Necessidade de Mão de Obra Qualificada
A agilidade na aprovação de pesquisas clínicas é um ponto crítico. Representantes do setor, como Fernando de Rezende Francisco, da Abracro, destacam a insuficiência de servidores na Anvisa para lidar com o crescente volume de pedidos. Em 2025, por exemplo, 93 de 330 petições foram liberadas por decurso de prazo, evidenciando a carência de mão de obra. Outro gargalo reside no número limitado de Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) acreditados e certificados pela Conep, com todos os oito atuais localizados em São Paulo. Greyce Lousana, da SBBPC, ressalta que essa concentração dificulta a agilidade necessária para a aprovação de projetos.
Profissionais e Centros de Pesquisa: Expandindo o Ecossistema
A formação e retenção de profissionais qualificados em pesquisa clínica também são desafios. A demanda por esses especialistas tem crescido, mas a oferta ainda é limitada. André Sanches, da Novartis Brasil, aponta que a formação em saúde nem sempre valoriza a pesquisa clínica como carreira. Por outro lado, a SBBPC reconhece a capacidade dos profissionais atuais, mas alerta para a necessidade de expansão e melhores planos de carreira para fixá-los. A expansão de centros de pesquisa pelo país, especialmente fora do eixo Sudeste, é vista como uma tendência realista, embora a logística e a competência em atrair participantes adequados sejam fatores cruciais para o sucesso. A Hapvida, por exemplo, tem investido em sua estrutura de pesquisa, facilitando a inclusão de pacientes em estudos e buscando parcerias estratégicas.
O Futuro da Pesquisa Clínica no Brasil: Uma Política de Estado
Para Renato Porto, da Interfarma, a construção de um ecossistema robusto para pesquisa clínica no Brasil depende não apenas de um marco regulatório, mas também de velocidade e qualidade na execução dos estudos. A percepção é que o diálogo entre Anvisa, Inaep e o setor tem melhorado, gerando uma “turbulência positiva” que impulsiona o crescimento. No entanto, Greyce Lousana enfatiza a importância de a pesquisa clínica ser assumida como uma política de Estado, para que não fique à mercê das mudanças de governo. A disseminação de informações sobre os benefícios da participação em estudos para a população e a valorização da pesquisa como uma unidade de negócio são passos fundamentais para garantir um futuro promissor para a área no país.
Fonte: futurodasaude.com.br

