O Desafio das Lojas Vazias na Cidade
A lei de fachadas ativas, criada para dinamizar o comércio nos térreos de edifícios em São Paulo, enfrenta um desafio considerável. Um estudo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) aponta que entre 60% e 80% desses espaços estão desocupados, especialmente em eixos de grande circulação como Vila Mariana e Avenida Rebouças. A falta de planejamento comercial adequado e a concepção dos espaços como meros ganhos de área pelas incorporadoras são apontadas como as principais causas para o cenário de lojas fechadas.
A Mudança de Paradigma: Fachada Ativa como Ativo de Negócio
Em contramão à tendência de vacância, empresas como Porte e HBR Realty encontraram um caminho promissor ao tratar as fachadas ativas não como um problema, mas como uma nova avenida de negócios. A chave para o sucesso reside na gestão especializada e na criação de um mix de varejo estratégico, que atenda às demandas locais e melhore a experiência do consumidor. Essas incorporadoras focam em manter o controle sobre os espaços, garantindo ocupação e rentabilidade.
Porte: Gestão Integrada e Foco em Centralidades Urbanas
A Porte Engenharia adota uma abordagem inovadora, tratando as fachadas ativas como parte de uma estratégia de desenvolvimento urbano. Em projetos como o Eixo Platina, na Zona Leste, a empresa busca criar novas centralidades, integrando residenciais, corporativos, serviços e comércio de rua. Ao invés de vender as unidades individualmente, a Porte opta por parcerias, mantendo a gestão do mix, comercialização e ocupação para gerar renda recorrente e valorizar o empreendimento como um todo. Aprendizados sobre desenho urbano e a importância de inquilinos com capacidade financeira sólida também moldam suas decisões.
HBR Realty: A Plataforma de Varejo de Proximidade
A HBR Realty, através de sua plataforma ComVem, opera os térreos comerciais como um ecossistema de varejo de proximidade. Com alta taxa de ocupação e crescimento nas vendas dos lojistas, o ComVem reúne redes conhecidas e operações regionais, focando em conveniência, serviços e gastronomia integrados à rotina das pessoas. A estratégia de gestão centralizada e a leitura contínua da demanda local permitem que a HBR transforme fachadas ativas em ativos urbanos escaláveis e rentáveis, sendo procurada para gerenciar espaços em empreendimentos com dificuldades de ocupação.
O Futuro das Fachadas Ativas: Especialização e Visão de Longo Prazo
O sucesso da Porte e da HBR demonstra que as fachadas ativas podem deixar de ser uma obrigação urbanística mal resolvida para se tornarem verticais de negócio lucrativas. A especialização em varejo desde a concepção do projeto, a gestão centralizada e a visão de longo prazo são fatores cruciais. Ao invés de desistir desses espaços, as empresas que apostam em um planejamento cuidadoso e na gestão ativa estão colhendo os frutos, revitalizando áreas urbanas e criando novas oportunidades de investimento e consumo.
Fonte: neofeed.com.br

