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Futuro da Saúde Exige Visão Sistêmica e Integração: Especialistas Apontam Caminhos para os Próximos 25 Anos

Futuro da Saúde Exige Visão Sistêmica e Integração: Especialistas Apontam Caminhos para os Próximos 25 Anos

Inversão da pirâmide etária, avanço tecnológico e tratamentos de alto custo demandam transformação no setor, com foco em interoperabilidade, prevenção e empoderamento do paciente.

A saúde brasileira caminha para uma profunda transformação nas próximas décadas. A inversão da pirâmide etária, o ritmo acelerado do avanço tecnológico e o custo crescente de novos tratamentos são fatores que pressionam a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Para enfrentar esses desafios, especialistas apontam a necessidade de uma visão mais sistêmica e integrada do setor, com ênfase na interoperabilidade de dados, na adoção de novas tecnologias e no fortalecimento da prevenção e promoção da saúde.

Desafios e Oportunidades na Integração do Sistema de Saúde

Durante um evento realizado em São Paulo, em parceria entre a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e o Futuro da Saúde, líderes e especialistas do setor concordaram que a integração é a chave para o futuro. Paulo Chapchap, diretor médico do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), destacou a dificuldade histórica de integração entre os diversos elos da cadeia de valor da saúde. “Temos esse vício de falta de integração entre gestões dos vários elos da cadeia de valor”, afirmou Chapchap, ressaltando a necessidade de gestores de sistemas, e não apenas de empresas individuais.

A proposta é que o setor adote indicadores comuns que vão além das métricas de negócio, focando em resultados para a população. “Devíamos olhar para os indicadores médicos, que tocam nos pacientes como cliente final”, sugeriu Chapchap, mencionando taxas de internações evitáveis pela atenção primária e o estágio de diagnóstico de neoplasias como exemplos.

Tecnologia e o Empoderamento do Paciente no Centro da Transformação

O papel do paciente também é visto como central nessa revolução. Com o avanço de tecnologias como wearables e inteligência artificial, as pessoas estão mais informadas e ativas na gestão de sua própria saúde. Fabrício Campolina, especialista em tecnologia e fundador da CPLN Advisory, aponta três grandes tendências: robôs humanoides em tarefas assistenciais, a convergência entre longevidade e saúde com o uso de wearables e novas terapias, e o paciente hiperempoderado, que se torna protagonista de sua jornada de cuidado.

Martha Oliveira, CEO da Laços Saúde e ex-diretora-presidente da ANS, reforça a necessidade de desestruturar as atuais arquiteturas de saúde, que se mantêm semelhantes às de 1970, para incorporar as inovações tecnológicas. A tecnologia, segundo ela, pode ser a ponte para o cuidado a domicílio e para democratizar o acesso à saúde, especialmente para camadas mais desfavorecidas da população.

Inovação e o Futuro da Jornada do Paciente

Empresas como a Samsung já desenvolvem soluções focadas na prevenção e bem-estar. Otávio Penatti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento em IA para Saúde e Bem-Estar da Samsung no Brasil, destacou tecnologias como a detecção de apneias do sono e sistemas de predição de demência baseados em biomarcadores vocais. A Samsung possui o único laboratório de dados de saúde da empresa no mundo no Brasil, localizado em Campinas.

Guilherme Azevedo, cofundador da Alice, ressalta a importância da validade científica dos dados comportamentais para a integração de novas tecnologias na jornada do paciente. Ele também aponta a falta de confiança como um atrito na saúde suplementar, defendendo a construção de relações sólidas entre todos os entes da cadeia.

Superando Barreiras e Construindo um Sistema de Saúde Mais Ambidestro

Apesar do otimismo com as inovações, desafios persistem. A fragmentação do sistema, a aversão ao risco do setor e a necessidade de adaptação dos processos para incorporar novas tecnologias são pontos de atenção. Daniel Greca, diretor de saúde populacional e inovação do Sírio-Libanês, enfatiza a necessidade de investir em fundamentos básicos e pensar a saúde como um sistema integrado. “Se não conseguirmos investir em fundamentos básicos no Brasil, pensando como sistema, vamos estar mais distantes de ser um”, alertou.

Henrique Neves, diretor geral do Einstein Hospital Israelita, destaca a importância de considerar as dimensões geográficas e regionais do Brasil, buscando aprimorar a qualidade da saúde em todo o país. Massanori Shibata Jr., CEO do dr.consulta, defende o empoderamento do paciente com ferramentas de portabilidade de dados e a evolução de modelos assistenciais que acompanhem as transformações tecnológicas.

A integração público-privada é outro ponto crucial. Chapchap defende que o sistema de saúde pode se beneficiar da força do SUS e da qualidade técnica do setor privado. “Estamos superando a visão de quem defendia o SUS e achava que qualquer agente de cuidado que não fosse público era uma privatização da saúde”, afirmou. A mensagem final é de que o futuro da saúde exige ambição, colaboração e uma mudança de lógica, onde a tecnologia seja uma ferramenta para um cuidado mais acessível, eficiente e humano.

Fonte: futurodasaude.com.br

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