Ajuste Fiscal Ignorado: Um Risco para o Futuro Econômico
A necessidade urgente de um ajuste fiscal rigoroso, pauta central para o mercado financeiro, parece ter sido deixada de lado pelas principais campanhas presidenciais para 2026. Luis Stuhlberger, fundador e CEO da Verde Asset, classificou essa omissão como um provável “estelionato eleitoral”, argumentando que os candidatos priorizam discursos populistas em detrimento das soluções fiscais necessárias para a estabilidade do país.
Segundo Stuhlberger, o cenário econômico atual é alarmante, com programas governamentais que tendem a aumentar os gastos públicos. Ele critica a gestão atual por medidas consideradas populistas, que, na sua visão, visam angariar votos em detrimento da responsabilidade fiscal. “A gente está em uma situação de um fiscal horroroso e um governo péssimo”, afirmou o gestor durante um evento anual da Verde Asset em São Paulo.
Renan Santos: O Candidato “Sincericida” da Faria Lima?
Em meio a um cenário de promessas econômicas insustentáveis, Stuhlberger aponta Renan Santos, do partido Missão (oriundo do MBL), como o único candidato que, em sua opinião, terá a coragem de discutir abertamente a necessidade de um ajuste fiscal. O gestor chegou a declarar que torce por Renan Santos, que tem oscilado entre 4% e 6% nas pesquisas nacionais, mas já alcança 10% em São Paulo.
“O único candidato ‘sincericida’ e que vai falar isso claramente é o Renan. Tenho visão positiva sobre ele, e talvez seja uma torcida minha”, declarou Stuhlberger, destacando a rara abordagem do tema por parte do candidato em um ambiente eleitoral dominado por outras pautas.
Polarização e Preocupações do Mercado
A análise de Stuhlberger reflete uma busca do mercado financeiro por alternativas à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Candidatos como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) não têm conseguido capturar o interesse dos investidores, que veem em Renan Santos uma possível voz para o debate fiscal. No entanto, o presidente do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, apresentou uma perspectiva diferente, prevendo uma disputa acirrada e polarizada entre Lula e Bolsonaro, com poucas chances para Renan Santos ganhar tração significativa.
Hidalgo também levanta a possibilidade de escândalos, como o envolvendo o Banco Master, influenciarem o resultado das eleições. Ele sugere que as preocupações dos eleitores, focadas em consumo, saúde, educação e corrupção, podem divergir das prioridades da Faria Lima. “Pela realidade de hoje, se a eleição fosse domingo, eu diria que Lula estaria reeleito. Mas a eleição não é domingo, está muito longe. A campanha está apenas começando”, ponderou.
Descompasso Fiscal e Juros Elevados
Marcos Fantinatti, economista-chefe da Verde Asset, reforçou a preocupação com o descompasso fiscal do país, que ele descreve como “um pé no acelerador fiscal e outro pé no freio monetário”. Ele aponta o aumento expressivo das despesas públicas neste governo, estimado em 4% real ao ano, em contraste com governos anteriores, e o arcabouço fiscal atual como insuficientes para conter a trajetória da dívida pública.
“Ele [o arcabouço fiscal] não é uma âncora. Não é capaz de colocar a dívida em uma trajetória sustentável. Em ano eleitoral, o que fica é uma discussão populista, mas o passivo fiscal não é debatido”, concluiu Fantinatti, alertando para as consequências de longo prazo da falta de disciplina fiscal.
Fonte: neofeed.com.br

